Dimitri do Valle
De Curitiba
De tradição em família para a admiração popular. Bastaram nove anos para que a residência da comerciante Zélia da Silva, 45 anos, no bairro Bacacheri, em Curitiba, se tornasse referência de criatividade e solidariedade. Desde novembro, uma legião de curiosos vai à casa de Zélia para ver um megacomplexo natalino. Ele é formado por imagens que retratam momentos históricos da vida de Jesus Cristo, papais noéis de todos os tipos e tamanhos, bichos de pelúcia e um espetáculo de luzes criado por 130 mil lâmpadas. Em troca, os visitantes deixam alimentos para serem doados à entidades filantrópicas da cidade.
Cerca de 16 toneladas de comida já foram entregues este ano para o Instituto Pró-Cidadania, da Prefeitura de Curitiba. A meta final da comerciante é chegar a 30 toneladas. Pela beleza que proporciona, a residência de Zélia foi batizada de ‘‘Casa dos Sonhos’’. A visitação pública foi aberta há três anos. Na medida em que os enfeites tomavam conta de todas as partes da casa, a curiosidade dos vizinhos também crescia. A família de Zélia passou a receber cobranças e cedeu aos apelos. A única condição imposta era o pagamento de um ingresso: os donativos. Este ano, a novidade é uma imagem de Jesus Cristo, que ocupa todo o telhado da casa. O boneco gigante retrata a assenção de Cristo aos céus.
São necessários seis meses para planejar e montar todo o presépio, deixando a casa pronta para a visitação. Só este ano, cerca de 25 mil pessoas já passaram pelo número 194 da rua Paulo Idelfonso de Assunção, no Bacacheri. Quem não levar alimentos, pode pagar um ingresso no valor de R$ 1,00.
A residência se tornou um dos cartões postais de Curitiba nas festas de fim de ano e foi incluída no roteiro turístico oficial do município. ‘‘A gente se doa muito nesta época do ano’’, conta Zélia, que conta apenas com a ajuda das duas filhas e duas colaboradoras. A inspiração para tornar o complexo ainda mais bonito, segundo ela, vem da possibilidade de auxiliar famílias carentes. ‘‘Acho legal poder ajudar tanta gente desfavorecida. A cada ano a gente desembolsa um pouco mais de recursos para manter isto aqui. Quando ninguém está pensando em Natal ainda, a gente já está vivendo ele’’, relata a comerciante.
Para Zélia, o Natal não pode ser o único período do ano em que a bondade passe a fazer parte do cotidiano de todos. ‘‘Acho que as pessoas deveriam doar sempre, em qualquer época do ano, pois os pobres precisam de alguma coisa, principalmente um prato de comida, todos os dias’’, opina. Depois de abrir o presépio para o público, a comerciante reconhece que passou a analisar os dramas da vida de uma maneira diferente. ‘‘Esta experiência mudou a vida da nossa família demais. Vejo a vida pelo lado espiritual, não apenas o lado material’’, afirma.Comerciante arrecada comida, roupas e dinheiro das pessoas que visitam casa decorada com motivos natalinos
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