O secretário de Estado de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, informou ontem que o Governo do Estado pretende avançar em apenas três das oito novas usinas hidrelétricas previstas inicialmente para o Paraná. A orientação do governador Roberto Requião (PMDB), segundo Cheida, é que sejam revistos para correção de eventuais falhas os Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA / Rima) para construção das usinas hidrelétricas de Mauá da Serra, no Rio Tibagi; Usina Salto Grande, no Rio Chopim, em Laranjeiras do Sul; e Usina Baixo Iguaçu.
O secretário, que também é presidente do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, afirmou que ele próprio apresentou ao governador restrições quanto à construção da Usina de Mauá. Em várias ocasiões Cheida deixou claro que não é a favor do projeto da usina, considerado por ele o mais polêmico. No próximo dia 4 uma audiência pública vai discutir, na Assembléia Legislativa, a construção das usinas previstas no Estado.
Em julho deste ano a Folha publicou reportagem sobre o Rio Tibagi, mostrando que existe um consenso entre pesquisadores de que a construção de uma hidrelétrica acarretaria danos profundos e irreversíveis ao rio. ''Somos totalmente contrários à execução de qualquer obra desse porte. O ecossistema do Tibagi é o único que ainda mantém uma diversidade razoável, principalmente de peixes, para a Bacia do Paranapanema. Com uma grande hidrelétrica, estaríamos condenando essa fauna a prováveis extinções, por questões reprodutivas e alimentares'', alertou na época o biólogo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Mário Orsi.
Em visita à Redação da Folha ontem de manhã, Cheida informou que o Governo está segurando o licenciamento de 68 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) propostas para o Estado, por entender que seriam danosas aos seus mananciais. ''Além disso, estas centrais produziriam e venderiam energia à Copel, e achamos que a Copel não tem que se submeter as estes grupos.'' Cheida revelou que, embora o Estado seja superavitário na produção de energia, há uma forte cobrança do Governo federal para que produza mais energia. ''Isto porque o País corre risco de novo apagão, e o Paraná tem um dos maiores potenciais de geração de energia elétrica.''

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