Endereço de casa-abrigo põe vereadora contra sindicato
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quinta-feira, 14 de agosto de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Arquivo FolhaIrritaçãoElza: Sindserv jogou por terra todo o trabalho suado da CEM Imprudente, irresponsável e prestando um desserviço ao atendimento da mulher em Londrina. Assim a vereadora Elza Correia (sem partido) se referiu, na sessão de ontem na Câmara, ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipal de Londrina (Sindserv). O motivo da crítica, segundo ela, foi a divulgação por parte da entidade do endereço dos dois imóveis que seriam utilizadas pela Coordenadoria da Mulher para funcionar como casas-abrigo - específicas para mulheres que possam estar vivendo em situação de risco. O sindicato denunciou irregularidades na licitação das obras realizadas pela prefeitura.
Elza Correia explicou que o local deveria ser mantido em sigilo para garantir a segurança das mulheres que fossem atendidas nas casas. A divulgação, por isso, pode inviabilizar a aprovação do projeto pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e, por consequência, impedir que Londrina receba recursos do Ministério da Justiça para equipar e manter as duas casas. O dinheiro viria através da Secretaria de Estado da Criança e Assuntos de Família, que também financiou dois terços da reforma das casas.
O sindicato jogou por terra todo o trabalho suado da Coordenadoria da Mulher. Agora o projeto não vai mais poder ser viabilizado naquele local, lamentou a vereadora. Ela afirmou ainda que o Sindserv tinha conhecimento de que o endereço dos dois imóveis não poderia ser divulgado. Isso não vai passar impunemente, destacou. Para Elza, a quebra do sigilo causou prejuízo ao município.
O presidente do Sindserv, Gláudio Renato de Lima, rebateu as acusações da vereadora afirmando que em nenhum momento a entidade declarou que os dois imóveis seriam utilizados como casas-abrigo. Disse apenas que aquilo seria um projeto da Coordenadoria da Mulher. Quem divulgou que se tratava de casas-abrigo foi a própria imprensa ou a administração.
Gláudio Lima acrescentou que a Prefeitura, quando publicou no Semanário Oficial do dia 1º de maio de 1997 o resultado da licitação, informou que a destinação dos imóveis era para casas-abrigo. Isso é público, afirmou. O sindicalista acrescentou também que ninguém foi alertado de que o projeto era sigiloso. E também não é porque o projeto é sigiloso que ele deva ser passível de irregularidades.
O presidente do Sindserv adiantou que vai solicitar cópia do pronunciamento da vereadora Elza Correia na Câmara para conhecer melhor o teor das críticas. Se a vereadora distorceu a atuação do sindicato, ela vai responder por isso. Civil e criminalmente.


