Londrina - Com a confirmação de cinco casos de dengue do tipo 4 na semana passada, a preocupação do setor de Endemias da Secretaria de Saúde de Londrina tem sido principalmente com a circulação deste novo vírus nas próximas estações.
A dengue tipo 4 tem os mesmo sintomas, mas pode ser mais agressiva, já que a população fica mais suscetível por não apresentar mecanismos de defesa. Com esse foco, o Comitê Gestor Intersetorial de Combate à Dengue se reuniu ontem pela manhã, com representantes de diversas secretariais, além do Ministério Público.
"Estamos montando o plano de contingência com o objetivo de traçar ações caso o problema se agrave no verão. A ideia é discutir medidas que vão desde a assistência aos doentes até o controle do vetor (Aedes aegypti)", comenta o coordenador de Endemias, Jorge Augusto de Sá.
De acordo com ele, no último ciclo epidemiológico, entre agosto de 2012 a julho de 2013, foram 1.146 casos confirmados e 6.230 notificações. Dos positivos, 12 eram de dengue clássica com complicações, 6 de febre hemorrágica e 5 do tipo 4.
Com o próximo Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), programado para outubro, as metas devem ser detalhadas e as regiões de maior infestação devem ser diagnosticadas.

Viela
De acordo com Sá, por enquanto não há nenhum área de maior preocupação no município, mas afirma que o foco continua sendo os fundos de vale e terrenos baldios, como os do Jardim União da Vitória, na zona sul. O acúmulo de resíduos recicláveis representa cerca de 50% dos criadouros do mosquito.
Moradora há 22 anos do bairro, na Rodovia João Alves da Rocha Loures, Aline Gaspar de Souza reclama do lixo acumulado em frente de casa. "Um pouco de lixo que junta é suficiente para outras começarem a jogar restos de construção e até animais mortos. O cheiro me incomoda muito, além da preocupação com a dengue. Tem um monte de material aí que quando chover vai acumular água,", diz.
Outro morador Dorival Antônio da Silva não se conforma com a sujeira da viela próximo à sua residência. "Sempre foi assim e, para não conviver com esse mau cheiro e insetos, tento limpar pelo menos uma vez por semana. Há anos as pessoas jogam tudo o que é lixo aqui, sem pensar no próximo", conta, apontando um computador velho.

Autuações
Durante a reunião, o promotor de Justiça Paulo Tavares diz que foi emitida uma nota pública para o prefeito Alexandre Kireeff, solicitando a adoção de medidas emergenciais em relação ao lixo e sua destinação, além da limpeza pública.
"É papel nosso, tanto do Comitê quanto do Ministério Público, cobrar que cada um faça sua parte, desde as secretarias quanto a comunidade. Além disso, nas reuniões, enfatizamos a importância de sermos notificados quanto àqueles que insistem em deixar suas casas ou terrenos com lixo e água parada, pois assim tomaremos as providências cabíveis e processaremos criminalmente essas pessoas", salienta.
A coordenadora municipal de Saúde Ambiental e Zoonoses da Vigilância Sanitária, Sandra Cristina Oka, explica que nos casos em que os agentes de Endemias não conseguem solucionar a remoção dos criadouros junto aos moradores e comerciantes, a Vigilância Sanitária é acionada. "A maioria dos casos a gente consegue solucionar dentro do prazo estipulado pelo fiscal, que pode variar de um dia a duas semanas ou mais. Aqueles em que não há acordo mesmo é aberto um processo administrativo", afirma, ao contabilizar que em períodos críticos de infestação do mosquito, o setor recebe, em média, 10 notificações/mês.
Segundo o promotor, diante de um processo criminal "as pessoas terão que contratar um advogado e serão submetidas a penas, no início às mais leves, mas com variação na medida que forem rescindindo", completa.

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