O alto nível dos espumantes nacionais foi testado e aprovado na noite de segunda-feira, em encontro de degustação que reuniu conhecedores e apreciadores de um bom vinho. O evento, promovido pela Folha de Londrina, com a participação do empresário José Eduardo de Andrade Vieira, objetivou valorizar e divulgar a produção nacional de vinhos, que vem conquistando um reconhecimento internacional cada vez maior.
A degustação, realizada no restaurante Via Felice, que apoiou o evento, assim como a Retrovisa, reuniu cerca de 25 convidados, entre membros da Confraria do Vinho de Londrina e da Associação Brasileira de Sommeliers Seção Norte do Paraná (ABS), enófilos, comerciantes e apreciadores da bebida. Darci Dani, diretor-executivo da Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), que integra o Conselho Deliberativo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), veio à cidade para ministrar palestra sobre o assunto e conduzir a degustação, juntamente com o sommelier Eduardo Rizzi Valença, da ABS Norte do Paraná.
O palestrante ressaltou que a produção nacional tem se aprimorado, conquistando cada vez mais o paladar dos brasileiros e o reconhecimento internacional. ''Não precisamos e nem podemos imitar o vinho de outros países, tampouco é necessário comparar. Estamos aproveitando as características brasileiras e isso tem dado ótimos resultados'', afirmou.
Dani mostrou um pouco da história milenar do vinho e de sua introdução no Brasil. Ele detalhou ainda informações técnicas, como tipos de uva, cultivo e formas de produção de espumantes. Dicas básicas de como abrir, servir e o que analisar em um espumante também foram abordadas pelo técnico em Viticultura e Enologia. Todas essas informações e um panorama da vinicultura brasileira estarão em matéria especial na edição do próximo domingo.
''Temos de prestigiar o que é nosso. Este evento e a matéria no jornal com certeza vão ajudar as pessoas a conhecer melhor o espumante nacional, que não perde para o de nenhum outro país do mundo'', declarou o enólogo Alcides Carvalho, em nome da Confraria. Segundo ele, o espumante brasileiro já ganhou do espanhol e do italiano em concursos, e recentemente ficou em 2º lugar em competição na França.
No Brasil, as vinícolas ocupam 60 mil hectares, produzindo 358 milhões de litros por ano. O brasileiro bebe apenas 1,8 litros anualmente - número ainda irrisório se comparado ao de países europeus. Na Itália, a produção chega a 6 bilhões de litros, e o consumo per capita é de 61 litros/ano. ''A procura por espumantes tem crescido. A mentalidade de que só se toma espumante em casamento ou batizado tem mudado. A bebida é ótima como acompanhamento de frios e refeições'', destaca Dárcio Scarpelli Bueno, proprietário do Via Felice, que pretende brindar o verão lançando a moda do happy hour com espumante brasileiro, servido, como manda o figurino, bem gelado.

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