Kraw PenasFaixasManifestantes do 1º Encontro Internacional de Atingidos por Barragens caminham para o Palácio Iguaçu depois de terem paralisado a BR-116 pela manhã: ‘‘complô’’Manifestações de rua marcaram ontem o último dia do 1º Encontro Internacional de Atingidos por Barragens, que durante toda a semana reuniu em Curitiba representantes de 20 países. Pela manhã, os participantes bloquearam durante mais de uma hora o tráfego na BR-116, na saída para São Paulo, provocando um congestionamento de cerca de cinco quilômetros. À tarde, foram em passeata até o Palácio Iguaçu, onde o encontro terminou com a leitura da ‘‘Carta de Curitiba’’.
Entre as decisões do encontro, incluídas na carta, está a criação de uma rede internacional de atingidos por barragens, para disseminar informações e fortalecer a pressão contra governos e organismos financiadores dessas obras. A rede terá como referência uma organização de cada região do mundo. Da América Latina, foi escolhido o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), do Brasil.
‘‘Há necessidade sobretudo de uma articulação internacional contra os grandes bancos que financiam a construção de barragens destrutivas no mundo todo’’, disse Ricardo Montagner, da executiva nacional do MAB. Para o movimento, a construção de muitas barragens obedece aos interesses de um ‘‘complô’’, que incluiria desde fornecedores de equipamentos e empreiteiras até governos eorganismos financiadores.
A carta propõe que governos, agências internacionais e investidores adotem uma ‘‘moratória’’ na construção de grandes barragens, até que sejam resolvidos casos pendentes e democratizada a discussão de novas obras. De acordo com o MAB, em todo o Brasil existem 350 mil famílias desalojadas de suas terras por barragens e que ainda aguardam reassentamento ou indenizações. No Paraná, seriam 2.150 famílias com pendências.
Outra proposta tirada do encontro é que seja criada uma comissão internacional independente para revisar todos os projetos de grandes barragens financiadas ou apoiadas por agências internacionais de crédito. Só no Brasil está prevista a construção de 494 hidrelétricas nas próximas décadas.
Para os participantes do encontro, o maior benefício obtido foi traçar um quadro detalhado dos problemas gerados pela construção de barragens no mundo. ‘‘Embora nossas experiências de perdas e de ameaças reflitam a diversidade de nossas culturas e realidades sociais, políticas e ambientais, nossas lutas são uma só’’, afirma a ‘‘Carta de Curitiba’’.
No encerramento do encontro, os participantes também decidiram transformar o 14 de março no ‘‘Dia internacional de luta contra as barragens e pelos rios, pela água e pela vida’’. A data já era comemorada no Brasil.

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