Encontro reunirá policiais femininas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de julho de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Menos de 2% do quadro de efetivos da Polícia Militar do Paraná é composto por mulheres. Elas são minoria na corporação e convivem diariamente com o preconceito interno e externo. Entre os oficiais, a discriminação é ainda maior. Não existe qualquer policial feminina que tenha conseguido chegar aos cargos de coronel ou tenente-coronel. Apenas uma mulher conseguiu atingir o posto de major. São 18 mil policiais militares e apenas 460 mulheres. Em alguns cargos, elas simplesmente são ignoradas. Não existem mulheres nos quadros do Corpo de Bombeiros ou da Polícia Rodoviária Estadual (PRE).
Apesar do preconceito, elas já estão ganhando as ruas. É o caso da tenente Elléa Zych, do 12º Batalhão da Polícia Militar de Curitiba. Ela trabalha como oficial de operações, ou seja, fiscaliza as viaturas da companhia e dá apoio nas ocorrências de maior vulto. ''As mulheres só conseguem respeito se chegarem impondo, modificando a voz, falando mais grosso'', confessou a tenente. Zych trabalha com um soldado da PM. Ela contou que quando vai atender a uma ocorrência, os curitibanos preferem conversar com o soldado. ''Parece que os homens principalmente não confiam na autoridade feminina. Elas são profundamente machistas'', declarou.
As mulheres já a tratam com orgulho. ''Elas respeitam. Se a gente dá uma ordem, as mulheres acatam rapidamente. Os homens perguntam para o soldado se eles são obrigados a me obedecer'', observou.
As policiais civis também sofrem o mesmo tipo de preconceito. Dificilmente elas conseguem trabalhar na investigação. As mulheres não são vistas nas chefias das divisionais. Muito menos, nos cargos superior do Departamento da Polícia Civil. ''Eu acho que a mulher tem que se sentir mais valorizada. Ela tem que poder desempenhar sua função sem perder a feminilidade e a sensibilidade'', defendeu a escrivã Iara do Rocio Vaz, da Polícia Civil.
Iara está programando para o mês de setembro um grande encontro para policiais femininas civis e militares. A intenção é integrar a mulher independente dos cargos ou profissão. ''O encontro tem como meta promover a união e a descontração. É bom termos todas nós juntas num mesmo ambiente por dois dias. Isto vai facilitar até no relacionamento do dia-a-dia'', argumentou ela, que já participou de encontro semelhante em Santa Catarina.
O encontro está agendado para ser entre os dias 20 e 22 de setembro.


