Paulo WolfgangSaudosismoVárias gerações se encontram na frente da Igreja Nossa Senhora de Fátima, na Água do Cerne: emoção tomou conta dos mais velhos SERTANÓPOLIS - No início da década de 30, 11 pioneiros de origem portuguesa ajudaram a desbravar as matas dos sertões do Norte do Paraná e formaram a primeira equipe de futebol da região, o Cerne Futebol Clube, na comunidade de Água do Cerne, em Sertanópolis (40 quilômetros ao norte de Londrina). São eles Natal; Maneco Cruz e Zé Patrício; Vitorino, Antônio Cabelo e Cardial; João Januário e Mingotinho; Batista, Antônio Paulista e Guilhermino.
Seus nomes e a ousadia foram lembrados durante uma festa, que reuniu pioneiros e seus descendentes, numa grande confraternização. A festa denominada ‘‘Túnel do Tempo’’, serviu para comemorar também os 60 anos de fundação do Luso-Brasileiro Futebol Clube, nome posterior da equipe do Cerne e os 70 anos de colonização da área.
Este foi o primeiro grande encontro desde que a maioria das famílias começou a deixar a área na década de 50, em busca de melhores condições de vida nas cidades. A emoção tomou conta dos mais velhos. Os mais novos aproveitaram para conhecer um pouco da realidade e alguns personagens da colonização de Sertanópolis através de fotos e relatos. Os pioneiros, ainda vivos, foram homenageados com entrega de placas alusivas ao encontro.
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Parte da história da colonização da Água do Cerne está sendo resgatada pelo médico Mário Braz de Almeida, 63 anos, morador em Curitiba, e alguns membros da família. Eles pretendem contar em um livro as aventuras dos pais, tios e avós. A idéia do livro nasceu há 20 anos, quando o irmão de Mário, Américo Augusto de Almeida, teve problemas de saúde. ‘‘Ele era a memória viva da colonização do lugar e pediu para que fizéssemos um levantamento histórico. A partir dele, comecei a colher informações, documentos e fotos’’, comenta.
Mário Almeida conta que, na década de 20, foram loteadas terras em Sertanópolis, então um vilarejo pertencente à comarca de Jatay (Jataizinho). A intenção dos loteadores era vender a área para grupos de amigos de uma mesma região. ‘‘O sucesso foi tão grande que começaram a lotear a Água do Manduca, outra colônia portuguesa próxima do Cerne’’, explica.
Na época da colonização, a vila de Sertanópolis tinha somente duas casas de madeira. O restante era de pau-a-pique. ‘‘Esta foi a primeira colonização além do Rio Tibagi’’, ressalta. A primeira produção - antecedendo o ciclo do café - foi a de fumo, que era toda vendida para o Estado de São Paulo.
Luso-Brasileiro Por causa da amizade, interesse de manter as raízes portuguesas e do grande número de filhos em cada família, os colonizadores tinham a preocupação de realizar casamentos entre eles. Com isso, criavam estreitos laços familiares. O trabalho de mutirão, realizado diante das dificuldades de alguma família, também ajudou a mantê-los na região.
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Mário Almeida: material para livro
Com o crescimento dos filhos homens, os colonos portugueses sentiram necessidade de ter alguma atividade nas horas vagas e o futebol foi o passatempo escolhido pelo grupo. Foi quando nasceu o Cerne Futebol Clube, o primeiro time uniformizado da região. Por volta de 1942, o nome foi mudado para Luso-Brasileiro Futebol Clube. O time passou a receber reforço dos filhos dos empregados brasileiros das fazendas de café.
Segundo Mário Almeida, o enfraquecimento da comunidade Água do Cerne começou na década de 50. ‘‘Os meios de comunicação trouxeram muitas novidades da cidade, despertando o interesse das pessoas. Além disso, a evolução do transporte encurtou distâncias e facilitou o êxodo rural. Os jovens, principalmente, queriam se beneficiar das novidades e conforto oferecidas pela cidade, enfraquecendo o campo’’, ressalta.

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