Encontro reúne carros antigos em Londrina
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domingo, 11 de julho de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem local 
''Paixão que tá no sangue''. Assim o vendedor Eurípedes Simões de Paula Netto definiu seu amor por carros antigos, especialmente pelo seu Dodge Dart, de 1974. Netto, como é conhecido pelos amigos, dirige dodges desde os 18 anos e hoje é presidente do Clube do Dodge de Londrina. ''Meu primeiro carro foi um carro antigo e nunca me senti bem num carro novo, não tem o mesmo cheiro'', brincou.
Junto aos membros do Clube do Puma e do Clube do Opala, Netto organizou o 1º Encontro de Relíquias do Norte do Paraná, que reuniu cerca de 50 colecionadores no estacionamento do Armazém da Moda, na tarde de ontem. Entre os modelos expostos estavam Pumas, Opalas, Dodges, Jeeps, Galaxies, Mavericks e até Fuscas. ''Mais do que trocar informações e peças antigas, o encontro tem como objetivo a confraternização entre os colecionadores'', disse.
Segundo ele, Londrina conta hoje com sete clubes de carros antigos, que agora poderão se reunir todo segundo domingo do mês no espaço oferecido pelo Armazém da Moda. ''Não cobramos nada e para participar, basta gostar de carros antigos'', declarou Netto, ressaltando que a propaganda do evento é feita boca à boca. ''Já contamos com a participação de colecionadores de outras cidades, como Bandeirantes, por exemplo'', contou.
No encontro, os colecionadores ainda podem trocar livros e revistas sobre o tema. ''Abrimos espaço para aqueles que querem montar barracas e vender peças e revistas especializadas'', afirmou Netto. A meta dos organizadores é reunir de 50 a 70 carros por evento e, no futuro, ocupar um espaço ainda maior.
O presidente do Clube do Puma, Leandro Guilherme Pacholatti Gomes, assim como a maioria dos colecionadores, não utiliza suas relíquias no dia à dia. ''Prefiro pegar um ônibus ou caminhar'', destacou. Ele possui um Puma GTB S1 vermelho, de 1978, batizado de 'Guilherme', e um Puma GTE amarelo, de 1972, chamado 'Valentine'. Nos encontros, ele dirige 'Guilherme' e a mãe dele conduz 'Valentine'.
''Meu pai sempre me ensinou tudo sobre carros e passei os meus conhecimentos para o meu filho'', contou Aparecida Valentim Pascholatti, mãe de Leandro. ''Já a paixão por carros antigos ele herdou do pai, que trocou o primeiro carro do Leandro, um fusca, pelo puminha amarelo, único em Londrina'', completou.
O biólogo aposentado Misael Domingues Rodrigues adquiriu seu primeiro carro antigo há oito meses. O modelo Rural Willis, de 1964, tem seis cilindros e motor original, e ainda requer alguns reparos. ''A remontagem é uma terapia'', comparou o colecionador, que utiliza o veículo diariamente, em suas idas à chácara da família. ''O carro mais novo eu deixo para a esposa'', finalizou.
Quanto ao investimento, os colecionadores são unânimes. ''Não existe um valor pré-estipulado para os carros, mas a manutenção é facilitada pelo intercâmbio de peças entre os colecionadores'', analisou Netto. Rodrigues completa: ''Um carro antigo é ao mesmo tempo um passatempo e um investimento. Tem um valor inestimável''.


