Encontro resgata história do ciclo do tropeirismo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Paulo Grein 
Especial para a Folha
O Parque dos Tropeiros em Curitiba sedia, durante todo o fim de semana, o 3º Encontro Tropeirista do Paraná, evento que promete resgatar um pouco da história dos antigos tropeiros. Nos séculos XVIII e XIX, os tropeiros colonizaram o Sul do Brasil fazendo transporte com animais. A festa promete muitas atrações no parque, com um rodeio crioulo envolvendo provas de laço, rédea e gineteadas. É esperada a presença de cerca de 30 mil pessoas, se o tempo ajudar, como diz o professor Velocino Fernandes, um dos organizadores.
As comemorações serão abertas oficialmente hoje, mas desde ontem os grupos tradicionalistas e representantes dos CTGs de todo o Paraná e Estados vizinhos começaram a chegar. Dois grupos de cavaleiros saíram dos municípios de Castro e Rio Negro, e viajaram cinco dias. A cavalgada dos tradicionalistas é feita com trajes e costumes típicos, procurando lembrar o trajeto feito pelos antigos tropeiros. Durante o encontro, os participantes poderão assistir a conferências sobre o ciclo tropeirista. Os ingressos custam R$ 3,00 e quem quiser acampar no parque, que conta com camping, paga R$ 10.
História - Os tropeiros tiveram grande importância na formação sócio-econômica e cultural, não apenas da região Sul, mas de todo o País. O ciclo tropeirista foi fundamental na integração cultural do Brasil, unindo algumas regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, afirmados como regiões brasileiras pelo elo de convivência criado pelos tropeiros e compradores de animais. Se não fossem os tropeiros, parte da região Sul do Brasil seria hoje da Argentina, afirma o professor Velocino Bruck Fernandes, que também é coordenador do Movimento Tropeirista do Paraná. Mesmo sendo tão importante, o tropeirismo não faz parte da história oficial do Brasil.
Desde 1730 até o início do século, as mulas eram o principal instrumento de trabalho na lavoura, mineração e no transporte de mercadorias. As mulas, criadas principalmente no Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai, eram também a principal fonte de renda dos tropeiros. Os animais eram levados do Sul até Sorocaba, no Estado de São Paulo, onde se realizava a grande feira anual de muares, que atraía gente de todo o País.
Hoje os organizadores do movimento tropeirista estão trabalhando junto a universidades de vários Estados do Brasil, para que o tropeirismo passe a figurar como parte da história oficial.


