A procuradora do Ministério Público do Trabalho, Margareth Matos de Carvalho, explicou que a audiência pública foi convocada para buscar soluções para erradicação do trabalho infantil em Curitiba. Ela instaurou inquérito civil público para investigar a situação de crianças e adolescentes que trabalham catando lixo nas ruas da cidade. São cerca de 400 menores cadastrados oficialmente. ''Investigamos e chegamos a conclusão de que as crianças e adolescentes que catam lixo na cidade o fazem porque os pais não tem onde deixar seus filhos. Faltam vagas em creches municipais'', disse.
Como a legislação define que o menor deve ser prioridade pública no orçamento municipal, o Ministério Público decidiu convocar uma audiência com representantes de entidades governamentais e não governamentais que trabalham com crianças e adolescentes. Um levantamento feito por ela recentemente apontou que cerca de 13% da população curitibana de zero a três anos estão matriculadas nas creches da cidade e 46% das crianças que têm entre quatro e seis anos. ''Existe um déficit claro de vagas'', disse ela.
Outro problema apontado pela procuradora é com relação ao repasse de recursos para as creches comunitárias. São repassados mensalmente R$ 33,00 para as creches por criança e outros R$ 17,00 pelo governo federal. No entanto, desde maio o governo federal não repassa os valores devidos. ''Não entendemos porque a Prefeitura Municipal repassa R$ 33,00 e promete para as terceirizadas que administrariam as creches de Curitiba R$ 80,00 por criança. Queremos pelo menos o mesmo valor'', argumentou.
A presidente da Associação de Creches Comunitárias de Curitiba, Ada Pires de Oliveira, admitiu o repasse de vamores baixos para as entidades que cuidam de crianças. O custo por criança seria de R$ 120,00. Por isso, as creches cobram R$ 25,00 dos pais para manter seus filhos matriculados. ''É um auxílio para que as creches não tenham que fechar as portas'', justificou ela. Atualmente, Curitiba conta com 93 creches, de acordo com Ada.

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