Encontro discute violência contra crianças e adolescentes
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sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Capacitar profissionais que atuam no atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência e fomentar a discussão do problema. Estes são os objetivos do 1º Simpósio Neddij Direito de Criança: Enfrentamento à Violência Contra a Criança e o Adolescente no Paraná, realizado ontem e hoje na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Claudete Carvalho Canezin, coordenadora do Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (NEDDIJ) da UEL, afirma que é fundamental mostrar os números da violência, seja física, sexual ou psicológica contra a criança e o adolescente e discutir alternativas. "Quanto mais nós estivermos debatendo mais vamos tirar a criança dessa vulnerabilidade social. O número de casos de violência é muito alto, mas não aumentou. É que as pessoas têm mais acesso e denunciam mais do que há sete anos", destacou.
O evento também será realizado em outras cidades paranaenses. "O simpósio é um só, começa em Londrina, passa por Foz do Iguaçu, Jacarezinho, Maringá, Ponta Grossa, Francisco Beltrão, Guarapuava, Marechal Cândido Rondon e se encerra em Curitiba, em junho do próximo ano", explicou Claudete.
De acordo com ela, os professores também são um público importante no processo de prevenção à violência contra a criança e o adolescente. Por isso o simpósio também é direcionado a esses profissionais. "A professora está diuturnamente com essa criança. Ela percebe quando a criança muda o comportamento, tem algum problema. Muitas vezes a criança conta qualquer coisa e os parentes não dão credibilidade ao que ela está falando. Se ela diz que o pai a mandou tirar a calcinha, ela não imagina isso desta forma, é porque realmente está acontecendo. Temos que dar mais credibilidade ao que nossas crianças estão falando e esse é o objetivo deste encontro."
A lei determina que os profissionais comuniquem qualquer suspeita de violência contra crianças e adolescentes. "Cabe às autoridades averiguar e não simplesmente descartar, não dar importância. Os professores podem fazer a denúncia anônima, não é preciso ter medo. Temos casos em que a mãe prefere o marido à criança. Ela não precisa ficar só esperando o marido prover, ela pode resolver o problema financeiro trabalhando. Se conseguirmos passar essa conscientização aos pais, professores e outros profissionais que trabalham com crianças e adolescentes, atingimos nossos objetivos", explicou Claudete.
Édina Maria Silva de Paula, procuradora do Ministério Público do Paraná e presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca), reforçou que a discussão precisa continuar dentro de casa e que a sociedade precisa se mobilizar. "No Cedca as pessoas podem participar, discutir, propor soluções. Só não podem votar. Mas as pessoas não participam. Elas fazem parte da solução também", destacou.
Edson Sêda, procurador aposentado e um dos redatores do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), explicou que mesmo 23 anos após a promulgação da lei que regulamenta direitos e deveres de crianças e jovens ainda é necessário se fazer encontros como esse. "Essas capacitações significam dar poder, argumento, voz e vez à população, para exigir dos governos aquilo que eles têm que fazer, para colaborar com o governo, decidir coisas, se é necessário mudar ou não. Essa participação só se aprende conhecendo os conceitos, sabendo a natureza dos problemas e que pessoas competentes psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, juízes digam à população quais os conhecimentos científicos que vêm se aperfeiçoando ao longo dos anos. Esse tipo de capacitação tem que ser feito sempre", destacou.
Serviço:
Para denunciar casos de violência os telefones disponíveis são 100, 125 ou 181.


