Encontro discute Terceira Idade
Especial para a Folha
Os idosos estão sendo encaminhados cada vez mais cedo aos asilos. É comum, nesses estabelecimentos, encontrar pessoas independentes, com plenas condições de conviver em família, e até trabalhar. Por questões financeiras, ou por falta de tempo da família, os velhinhos acabam parando nos asilos cedo demais, e longe do convívio familiar, perdem o prazer de viver.
Para discutir estes e outros problemas relacionados à Terceira Idade, como a falta de estrutura apropriada nos asilos, acontece até sexta-feira, no Centro de Convenções de Curitiba, o 3º Encontrão da Terceira Idade. O encontro reúne cerca de 800 pessoas do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Na década de 70 existiam em Curitiba 31.710 pessoas com mais de 50 anos em Curitiba. Hoje, são 125 mil, dos quais 48% recebe menos de um salário mínimo do INSS. Para atender melhor os idosos, uma rede especial de proteção começa a ser implantada ainda neste ano pelo governo estadual, prefeituras e entidades assistenciais. O objetivo é melhorar o atendimento das pessoas com mais de 60 anos nos 399 municípios parananenses. Hoje, 8% da população brasileira é formada por homens e mulheres com mais de 60 anos, e a tendência é aumentar ainda mais, lembrou a secretária da Criança e Assuntos da Família e presidente do Provopar estadual, Fani Lerner, que abriu ontem o encontro, afirmando que com a rede estadual de atenção ao idoso novas parcerias devem surgir nos próximos anos, facilitando a atuação das entidades que atuam na área.
Segundo Nelson Guerchon, coordenador de Políticas Estaduais do Idoso e responsável pelo evento, existe uma tendência de infantilizar o idoso, o que prova a falta de conhecimento de como tratá-lo. O idoso pensa como adulto, sabe suas necessidades, e tem as respostas para tudo. Para Guerchon, os asilos não podem ser vistos como a primeira, mas como a última alternativa para os mais velhos.
Guerchon diz ainda que a vida no asilo pode acelerar o envelhecimento. O idoso, muitas vezes, chega ao asilo totalmente independente. Ao ver outro idoso recebendo comida na boca, ele vai querer também. Duas semanas depois, o velhinho já não sabe comer sozinho. Guerchon afirma que a saúde do idoso não depende apenas de fatores médicos, mas de atividades físicas, intelectuais e afetivas.DivulgaçãoA secretária Fani Lerner e o vice-prefeito Algaci Tulio abrem o encontroPaulo Grein





