Encontro discute qualidade de vida na terceira idade
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quinta-feira, 10 de novembro de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Embora poucos gostam de vestir a carapuça quando o assunto é envelhecer, ainda que com qualidade de vida, acreditando que o tema interessa mais aos que já chegaram à terceira idade, o geriatra londrinense Marcos Cabrera dá uma pista importante para os que não gostam nem de pensar na velhice: ''A natureza nos reserva o direito de viver muito bem até morrer''. Ele abriu ontem pela manhã, na Universidade Estadual de Londrina, o I Fórum Vida Ativa: Construindo os Caminhos para o Idoso de Londrina e Região.
Londrina tem uma população de 43 mil pessoas que já passaram dos 60 anos, faixa etária que o Estatuto do Idoso considera a terceira idade. Ao lembrar que a velhice não vem sozinha, Cabrera destacou que o envelhecimento dá o tom para algumas doenças e que os geriatras precisam olhar esses cenários.
Porém, a visão da saúde pública ainda é um pouco míope e presa à relação médico/paciente, não enxergando a possibilidade de um trabalho multiprofissional. ''Seria interessante se as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) tivessem professores de Educação Física para atender a essa população'', afirma Cabrera.
Algumas mudanças de hábitos podem ser aliadas contra os efeitos da velhice. Uma pessoa com 25 anos de idade, por exemplo, tem 15% de gordura. Aos 75 anos, a taxa dobrará de valor. Exercícios físicos podem ajudar a equilibrar essa balança.
Quando se é jovem, o sono profundo vem com mais facilidade, o que não acontece nos idosos. Cabrera destaca que as pessoas mais velhas e que enfrentam esta situação devem levar em consideração se conseguem acordar bem no dia seguinte e se não sentem sono durante as atividdes diárias. ''O sono é mais vítima de uma má vida do que a causa. Alguns médicos costumam receitar remédios para esses pacientes dormirem. Considero isso um crime'', afirma o geriatra, apostando no envelhecimento ativo.
''Esse envelhecimento está associado a fatores pessoais, comportamentais como fumar ou beber, e estruturais, que dependem das administrações públicas'', acrescenta o geriatra, que não vê apenas na criação de grupos da terceira idade uma saída para a ''melhor velhice'', acreditando num processo de educação e de políticas estratégicas para atender essa população.
Ao contrário das crianças e adolescentes que têm áreas de interesse comuns, as pessoas da terceira idade formam um grupo heterogêneo, com gostos e expectativas que correspondem ao tipo de vida que levaram.
''Hoje estamos construindo uma política pública, que acontece em conjunto com o Conselho Municipal do Idoso. Uma das linhas do nosso trabalho, contando com o apoio do Ministério Público e do próprio conselho e a Vigilância da Sanitária, é com as casas de repouso ou asilares. Entramos em contato com os proprietários, que depois de uma visita devem se adequar ao que pede o Estatuto do Idoso. Quando isso não acontece interditamos o local'', afirma a secretária municipal do Idoso, Cristina Coelho.


