Representantes de 17 municípios do Paraná, Santa Catarina e São Paulo estiveram reunidos ontem em Ponta Grossa discutindo políticas públicas para acabar com a fome. O encontro também serviu de lançamento do projeto Fome Zero, do Instituto Cidadania, na região Sul do Brasil.

Uma das coordenadoras técnicas do Fome Zero, Maya Takagi, explica que no País existem 44 milhões de pessoas que têm uma renda mensal inferior a R$ 80,00 por mês. E foi pensando nessas pessoas que o projeto foi desenvolvido. ''Seriam necessários R$ 10 bilhões para erradicar a fome no Brasil'', calcula a pesquisadora.

Segundo ela, desde 1994 o País não tem políticas nacionais de combate à fome e à miséria. ''Existem iniciativas locais e esporádicas, como na época do Natal. O que precisamos é amarrar essas idéias e torná-las permanentes'', considera. Além da política nacional, o instituto tem a intenção de estimular iniciativas municipais, promovendo a troca de experiências.

Em Ponta Grossa existem 6 mil famílias sem acesso à alimentação adequada. Para atendê-las a prefeitura lança no próximo dia 15 o programa Do Campo ao Bairro. Dois ônibus estarão se deslocando aos bairros da cidade para vender alimentos com preços 30% menores do que os praticados em mercados. Poderão comprar nos ônibus as famílias com renda mensal de até três mínimos. Durante 2002, 3 mil famílias serão atendidas, mas a intenção da administração é ampliar o programa e terminar a gestão, em 2004, com quatro ônibus atendendo as 6 mil famílias carentes.

Já em Londrina o número de famílias necessitadas está próximo de 10 mil, segundo o secretário de Agricultura, Nilson Ladeia Carvalho. O município iniciou as discussões sobre a erradicação da fome em outubro e hoje promove um encontro entre os setores produtivos e de comercialização de alimentos, com entidades que atendem carentes. A intenção é encontrar caminhos que facilitem a chegada desses alimentos até os necessitados. Outro objetivo é distribuir melhor as atividades assistenciais. Com essa reorganização, Ladeia acredita que o déficit alimentar na cidade caia em 40% pelo menos.

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