Curitiba - Não há uma fórmula específica para combater a indisciplina na sala de aula. Mas isso não torna a tarefa impossível. O assunto é discutido no 5º Seminário de Indisciplina na Educação Contemporânea, promovido pelo Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe/PR) e que termina hoje, em Curitiba. Entre os temas abordados estão a família e a escola na construção da disciplina, o respeito na relação de autoridade e as regras na educação infantil.
No primeiro dia do encontro, o professor José Pacheco, da Escola da Ponte, de Portugal, apresentou as formas de educação e disciplina aplicados na instituição. Na unidade são atendidos alunos que apresentam casos de violência no âmbito educacional e não são recebidos pelas escolas tradicionais. Lá, é realizada uma assembleia semanal, onde os próprios alunos preparam a agenda dos assuntos e tomam das decisões, proporcionando melhorias nas relações entre eles e os professores. Este programa é realizado há 33 anos e serve como exemplo de sucesso em disciplina dentro da escola.
''Na Escola da Ponte os jovens constroem as regras. Um exemplo é o uso de celular na sala. Antes de entrar, todos eles deixam os aparelhos desligados em uma mesa separada'', explica Pacheco. A instituição também fez uma relação de delitos e punições. Os alunos já sabem o que acontecerá caso cometam algo proibido.
Um dos maiores problemas para combater a disciplina na sala de aula é a ausência de uma visão compartilhada por todos os professores. Assim, cada profissional prega algum ensinamento diferente e o aluno fica perdido. Esta é a opinião do professor Joe Garcia, um dos organizadores do simpósio.
''A relação entre professor e aluno é construída com senso de respeito e afeto. E esse respeito também vem na forma de motivação. Uma escola 'chata' gera indisciplina. As crianças têm estímulos cognitivos diferentes e aprendem de maneiras diversas, mas a escola oferece tudo padronizado'', opina Garcia. É cada vez maior essa discussão da necessidade de reinventar a escola, já que os conceitos praticados são os mesmos usados há décadas. ''O que é feito hoje já está ultrapassado'', diz.
Porém, os profissionais não creditam a culpa apenas na escola. Famílias disfuncionais, que não fornecem as noções básicas de cidadania, e a mídia, que constrói consumidores e não cidadãos, também estão entre os culpados apontados pelos professores. ''Tem criança que chega na aula com as mesmas características de algumas personagens da televisão'', alerta.
A discussão é longa, mas não deixa de ser importante. Se a disciplina for ignorada nessa fase da vida, o problema será cada vez mais difícil de resolver. ''Bater é um ato de covardia, mas a indiferença é covardia maior ainda'', opina Pacheco. Outras informações sobre o seminário no site www.metacodex.blogspot.com

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