Encontro discute ética médica
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de abril de 1998
James Alberti 
Marcelo AlmeidaSimpósio Paranaense de Ética Médica foi aberto ontem à noiteO avanço da tecnologia não tem servido à humanidade. A tese é do presidente do Conselho Federal de Medicina, Waldir Paiva Mesquita, e foi defendida ontem em sua palestra na abertura do III Simpósio Paranaense de Ética Médica. O evento ocorreu na sede da Associação Médica do Paraná, em Curitiba.
Mostrando dados sobre as privatizações da Light, CSN e Vale do Rio Doce, Mesquita criticou o presidente Fernando Henrique Cardoso e afirmou que os avanços tecnológicos trouxeram benefícios para poucos e prejudicaram a vida de milhares. Cerca de 70 mil pessoas perderam o emprego e aquelas empresas passaram a dar lucro. Esse lucro serve a quem? Aos poucos empresários ou à sociedade?, questionou.
Mesquita disse que na área da Medicina a tecnologia permitiu novos diagnósticos e tratamentos, mas que ela deve ser utilizada de forma racional. Ele criticou o culto da especialização. Mesquita disse que motivados pela indústria médico-hospitalar e de medicamentos, os profissionais partiram cegamente para especializações, esquecendo-se do todo. Por conta disso, para ele, o clínico geral será o profissional mais solicitado do terceiro milênio.
Mesquita defendeu a formação humanística e criticou as escolas de medicina. Segundo ele, o maior desafio da categoria no futuro será a formação profissional. Ele defendeu o fechamento de escolas que não consigam formar o que considerou o profissional ideal, com inserção social, visão crítica da realidade e compromisso com o País.


