Ao invés de benefício, direito constituído em lei. Essa foi ontem a principal orientação dada a quase 300 homens e mulheres beneficiados pela Bolsa-Idoso em encontro promovido pela Prefeitura de Londrina entre o grupo e secretários municipais. Com uma ajuda mensal de R$ 100, a iniciativa integra o programa municipal de renda mínima e deve ser voltada agora também para a orientação do público-alvo quanto a seus direitos na sociedade. Quem afirma é a secretária municipal do Idoso, Maria Ângela Santini.
''Com ações sistematizadas das secretarias de Ação Social, do Idoso e de Saúde, a intenção é orientar essas pessoas para o fato de que elas possuem direito ao lazer, à saúde e à cultura, entre outros'', explicou. Segundo Maria Ângela, a Secretaria possui hoje 36 grupos espalhados por 36 pontos diferentes da cidade nos quais um contingente de quase 2,8 mil idosos realiza atividades como oficinas de culinária, aproveitamento de alimentos, informática e artesanato.
''Londrina é a única cidade brasileira a oferecer esse tipo de Bolsa (ela existe desde outubro deste ano). Os R$ 100 ajudam a suprir as necessidades básicas, mas, acima de tudo, dá uma nova perspectiva de vida a quem não tinha nada, uma vez que abre o horizonte para novas conquistas'', completou.
Apesar do esforço, a secretária reconhece que ainda há várias dificuldades para que o atendimento ao idoso carente seja de fato efetivo. ''Um dos principais problemas é o acesso aos medicamentos, pois são muitos caros fora outros gastos'', disse, referindo-se à necessidade de se cobrarem tarifas sociais desse público tanto de energia elétrica quanto de água. Ela adiantou que para o início do próximo ano representantes da Copel e da Sanepar devem ser convidados para discutir o assunto em novo encontro com os idosos bolsistas.
A aposentada Maria Conceição Pirolla, de 65 anos, se diz em situação bem diferente da de quando não recebia a bolsa. ''Não tinha dinheiro nem para comprar comida'', lembra. Hoje com os R$ 100 e adepta das oficinas de artesanato, crochê e tricô, ela ressalta que o dinheiro ainda falta quando o assunto são os remédios. ''Tenho colesterol alto e os comprimidos são muito caros, vai quase metade da bolsa com eles'', reclama.
Por sua vez, a ajuda mensal não poderia ter vindo em melhor hora para a aposentada Olímpia Garcia dos Santos, 63. ''Não só pelo dinheiro, mas pela chance de eu estudar informática e mandar um e-mail para o meu filho, que não vejo há quatro anos'', conta. Já para Pedro do Carmo, 66, a diversão de passear ou atuar pela Legião da Boa Vontade (LBV) pelo grupo de idosos do qual participa vale bem mais que R$ 100. ''Isso ajuda a esquecer os problemas'', conclui.

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