Encontro discute controle da dengue
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Representantes de diversas secretarias municipais, Câmara de Vereadores, conselhos municipais de Saúde, comitês da dengue, entre outros setores, participaram ontem do Encontro Intersetorial de Dengue, organizado pela 17 Regional de Saúde. O principal objetivo do evento, realizado no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), foi debater e sensibilizar todos esses setores para trabalharem no controle do vetor da dengue.
A capacidade de adaptação do mosquito ao novo ambiente criado pela urbanização e, principalmente, pelos fatores climáticos, têm preocupado técnicos que lidam diretamente no combate ao mosquito Aedes Aegypti,
transmissor da doença. Segundo o coordenador do setor de endemias do Estado do Paraná, Francisco Konosalsen, municípios localizados em regiões mais quentes do Estado, como Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu são os que chamam mais atenção quanto ao aparecimento do mosquito.
''O frio interrompe a reprodução do mosquito, mas temos tido invernos atípicos, com temperaturas mais elevadas que a média. Se traçarmos no mapa do Paraná uma meia-lua, que liga Foz do Iguaçú até o município de Jacarezinho (Norte), podemos dizer que toda essa região nos preocupa bastante por se tratar de uma região quente. Sertanópolis é outra cidade que nos preocupa. Lá, em cada 100 casas, quatro têm problema com a dengue. Já Londrina, Maringá e Foz juntas, são responsáveis por 75% dos casos de dengue no Paraná'', disse Konosalsen.
Outro fator que preocupa o coordenador quanto aos municípios citados é que eles são pólos universitários. Para ele, além de pessoas virem de fora e poder trazer o vírus com elas, suas residências permanecem fechadas por até três meses em época de férias, o que pode facilitar a proliferação do mosquito. ''É preciso um envolvimento de toda a sociedade para combatermos o mosquito da dengue. Informações meteorológicas nos mostram que o verão promete ser muito quente e com chuvas mal distribuídas. Alguma coisa deve ser feita e isso deve partir, principalmente, da população.''
Transmitida pela picada de um mosquito infectado, a dengue pode ser clássica e hemorrágica. O segundo tipo é o mais severo, pois além dos sintomas comuns, a pessoa pode ter sangramento pelo nariz, boca e gengiva. Segundo Konosalsen, existem quatro tipos de vírus, sendo que no Paraná são encontrados apenas três. ''Na Venezuela existe o vírus tipo quatro. Precisamos nos alertar quanto a isso. Se esse vírus vier para cá, não teremos condições de fazer o controle, pois apesar de ser um tipo clássico, atinge mais pessoas, principalmente da terceira idade'', explicou.


