Encontro discute a infecção hospitalar
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quinta-feira, 15 de maio de 1997
Osmani Costa 
Marcos BorgesOperação mãos limpasO 3º Encontro de Controle de Infecção Hospitalar: em Londrina, infecções estão sob controleAconteceu ontem em Londrina, no auditório da Sesc, o 3º Encontro Norte-Paranaense de Controle da Infecção Hospitalar. O evento foi promovido pela 17ª Regional de Saúde e o Sesc, com o apoio da Irmandade da Santa Casa. Participaram, durante todo o dia, cerca de 400 pessoas, entre médicos, enfermeiros, estudantes da área médica, funcionários e administradores de hospitais de toda a região. A principal conclusão do evento é que os hospitais de Londrina e região têm um bom nível de controle das infecções e não correm o risco - dentro das condições normais - de um surto grave, como os que aconteceram recentemente em várias cidades brasileiras.
Infecção hospitalar é o agravamento de uma doença ou o aparecimento de uma nova por ação de bactérias, fungos, vírus, bacilos ou outros microorganismos, contraídos pelo paciente dentro do próprio hospital em que se encontra internado. Os riscos de uma infecção são maiores na fase pós-operatória. Os grandes vilões prosseguem sendo os microorganismos levados aos doentes pela sujeira das mãos dos médicos, enfermeiros e demais funcionários dos hospitais, segundo a enfermeira-chefe da vigilância sanitária da 17ª Regional de Saúde, Mara Alice Zanetti.
De acordo com ela, 80% das infecções hospitalares provocadas por causas externas podem ser controladas simplesmente com lavagens constantes e adequadas das mãos das pessoas que têm contatos com os internados. Além de agravar o estágio das doenças já existentes, a infecção pode levar o paciente à morte quando se generaliza pelo sangue e foge do controle médico. O Paraná tem uma posição bem avançada, bastante boa no controle da infeção hospitalar, em comparação com outros estados. Isto, porque a Secretaria trabalha na vigilância e controle, de maneira sistemática e rígida, desde 1990, diz Mara Alice.
Ontem foi comemorado o Dia Nacional do Controle de Infecção Hospitalar, porque em 15 de maio de 92 o Ministério da Saúde baixou uma portaria tornando obrigatória a manutenção, pelos hospitais, de uma comissão e um serviço de prevenção e controle das infeções hospitalares. Em Londrina, esta preocupação existe desde antes da obrigatoriedade. A comissão da Santa Casa funciona desde 1970. A comissão do Hospital Universitário (HU) trabalha desde 82.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o índice aceitável de infecções hospitalares não pode ultrapassar 6% dos procedimentos realizados. No HU, este índice vem baixando ano a ano e foi de 3,96% em março - 45 infecções entre os milhares de atendimentos prestados naquele mês. Em agosto de 95, por exemplo, o total de infeções havia sido de 111. É necessária uma vigilância diária, muita conscientização, cursos e treinamentos com o pessoal, comenta a coordenadora da comissão do HU, enfermeira Renata Aparecida Belei.
Todos os funcionários do HU lavam as mãos com um álcool especial, que além de hidratante é capaz de matar as bactérias. O hospital importou também, no início desde ano, uma potente máquina para esterilização dos equipamentos médicos.


