Milton DóriaCeg Ceg dá o
bom exemplo de
Marrecas: ‘Somos
respeitados’Representantes do Governo do Estado, do Instituto ambiental do Paraná (IAP), das comunidades indígenas e das prefeituras da região que têm reservas estiveram reunidos ontem, no centro de treinamento do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
O coordenador de distribuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) Ecológico, o engenheiro agrônomo Wilson Loureiro, disse estar satisfeito com os resultados do encontro.
‘‘Conseguimos estabelecer e melhorar o sistema de avaliação das ações do poder público nas reservas indígenas, priorizando as necessidades do ponto de vista das comunidades e das possibilidades de cada município’’, afirmou Loureiro.
Para acompanhar como os municípios vão investir o ICMs Ecológico, o IAP vai avaliar, através de um questionário, a situação social e atendimento das necessidades básicas, além de número, qualidade e eficácia dos projetos implantados nas reservas de terras indígenas.
Dependendo da nota da avaliação, os municípios vão aou não continuar a receber os recursos do ICMs Ecológico, podendo, inclusive, aumentar o repasse do benefício. Wilson Loureiro esclareceu que o IAP vai estar agindo junto às prefeituras de três formas: fiscalizando, educando e incentivando o uso correto do repasse.
‘‘É preciso democratizar as informações sobre o ICMS Ecológico para depois cobrar a sua utilização’’, afirma Wilson Loureiro. A primeira avaliação está marcada para dezembro, quando o IAP deverá voltar a se reunir com o mesmo grupo em Guarapuava e Londrina.
Os índios querem ser respeitados. As prioridades defendidas pelas comunidades indígenas do Estado - mais de 9 mil índios caingangues e guaranis em 18 reservas - são qualidade de vida para as crianças e acesso à saúde e educação. Querem também orientação técnica para produzir com qualidade e quantidade, respeitando a natureza, além de apoio para comercializar seu artesanato.
‘‘Se o índio puder produzir e gerar recursos para manter sua família dentro das reservas, não vai precisar sair se sujeitando a mendigar e ao desprezo da população’’, defendeu o presidente da Comissão Indígena da Regional de Guarapuava, Pedro Cornélio Ceg Ceg.
A comissão representa nove reservas e 6.686 índios. Segundo ele, a reserva de Marrecas (Guarapuava), onde moram 440 índios caingangues, é um exemplo a ser seguido pelas demais aldeias.
Independente, a comunidade de Marrecas vive da produção de pinhão - garantida pelo reflorestamento de araucárias -, do cultivo de erva mate em sistema integrado com a natureza e do artesanato. ‘‘Nossos professores são índios e nossas crianças aprendem duas línguas. Nós vamos à cidade onde temos amigos, comercializamos nossos produtos e somos respeitados’’, afirma Ceg Ceg.

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