Encontro defende aulas em assentamentos no BR
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quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Anna Camanducaia 
Educação nos assentamentos é uma das condições para o sucesso da reforma agrária. Segundo o coordenador do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), João Cláudio Todorov, é preciso que os assentamentos tenham capacidade técnica, educação e saúde para que sejam economicamente viáveis.
O tema foi apresentado ontem num encontro que reuniu especialistas em educação, em Curitiba. O evento termina hoje com a elaboração de um documento para a reunião da Conferência Internacional de Jovens e Adultos, que ocorre no próximo mês, em Montevidéu, no Uruguai.
Hoje, existem 350 turmas de estudantes, em 100 assentamentos espalhados pelo Brasil. São 7 mil pessoas estudando no campo. No Paraná, o número está entre 800 e mil alunos.
A meta para este ano era ter 103 mil alunos, em 1.500 assentamentos. Hoje, existem 2.700 assentamentos no Brasil. O problema foi a falta de verba. Dos R$ 37 milhões previstos, o Pronera recebeu apenas R$ 3 milhões.
Um censo feito por universidades, no ano passado, divulgou que 43% dos chefes de família nos assentamentos são analfabetos. Hoje, existem 350 mil famílias assentadas. No Paraná, Todorov acredita que a média de analfabetismo esteja abaixo dos 20%. Mas, em Alagoas, por exemplo, o índice é de 70%.
Professores e alunos universitários são a base do Pronera. Eles preparam os monitores (moradores dos assentamentos) para ensinar. O monitor deve ter algum nível de escolaridade.
O monitor ganha um salário mínimo (R$ 130,00) por mês para dar aulas. Os alunos devem ter, no mínimo, 15 anos.


