Encontro debate o jornalismo público
Érika Pelegrino
De Londrina
Reuniões de pauta (assuntos que serão tratados pelo jornal) realizadas com a participação da comunidade. Este é o grande diferencial do jornalismo público que já é uma experiência concreta na Colômbia, na África do Sul e Estados Unidos (EUA), por exemplo. O assunto será discutido hoje no Encontro Internacional sobre Participação Pública e Democracia que está sendo promovido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). O debate acontece no auditório do Hotel Bristol, centro da cidade.
O evento começou na terça-feira com a palestra do presidente da fundação Kettering, dos EUA, David Mathews, sobre Democracia: a questão da participação pública. As discussões trazem o conceito de democracia deliberativa e têm como principal objetivo discutir de que forma o cidadão pode agir e contribuir para que a democracia funcione melhor. O encontro abrange três segmentos: universidades, ações comunitárias e jornalismo.
Vanessa Zappia, jornalista e coordenadora do Fórum de Cidadania da Universidade Estadual de Ponta Grossa, que trabalha em conjunto com a UEL, afirma que já existem algumas experiências que têm obtido sucesso, como a da jornalista Ana Maria Miralles em Medelin, na Colômbia. Além de ter um veículo próprio onde as pautas são discutidas junto com o cidadão, as matérias produzidas a partir destas agendas cidadãs são veiculadas também na grande imprensa.
Atualmente, lembra Vanessa Zappia, a grande imprensa trabalha com reuniões de pautas técnicas dentro de suas redações. A imprensa perdeu o olhar do cidadão em cima daquilo que está acontecendo na sociedade. Noticia-se o assalto, mas não se discute a violência, exemplifica.
Através do jornalismo público a democracia deliberativa ganha espaço e faz da imprensa não apenas uma mera transmissora de informações que vê em seu público um consumidor, mas faz com que o cidadão perceba que ele pode fazer algo para melhorar as condições em que vive.
As discussões em torno da democracia deliberativa, segundo o assessor da UEL para assuntos internacionais, Jorge Edison Ribeiro, mostram que o papel do governo não é o de fazer tudo para o cidadão, mas fornecer meios, espaços e recursos para que o cidadão possa solucionar os problemas comuns à comunidade em que vive.





