Encontro debate mortalidade infantil
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Nos próximos três anos, o governo federal deve dar prioridade ao combate da mortalidade perinatal nas regiões Norte e Nordeste do País. A afirmação é do secretário nacional de Políticas de Saúde, João Yunes, que ontem proferiu palestra no 56º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria, evento que reúne 2 mil médicos no Hotel Bourboun, em Foz do Iguaçu.
Na exposição, o secretário destacou a queda acentuada na taxa de mortalidade infantil no Brasil desde 1980. Segundo dados oficiais, naquele ano, de cada mil crianças nascidas, 85 morriam antes de completar o primeiro ano de vida. Em 1998, este índice caiu para 36 por mil.
A queda foi acentuada mas o índice ainda é preocupante, observa Yunes. O índice é alto em comapração com a realidade dos países desenvolvidos como Japão (4 por mil) e Estados Unidos (7 por mil) e mesmo em relação a países latino-americanos como Cuba (8 por mil) e Argentina (22 por mil).
Segundo o secretário, o avanço na área se deve a bem sucedidas campanhas de vacinação e a programas implementados nos municípios como as de médico da família, agentes de sáude e programas de combate a desnutrição, onde foram beneficiadas crianças da zona rural e de regiões remotas, que, antes, não dispunham de acompanhamento sanitário adequado.
Outro fator de redução do índice está relacionado a implantação do projeto de Redução de Mortalidade na Infância do Ministério da Saúde, que prioriza ações de saneamento, saúde e nutrição voltadas para a mulher e a criança em 913 municípios com as piores condições de vida do País.
O governo quer, agora, aprofundar campanhas de saúde públicas que incentivem as mães a visitarm as unidades de saúde durante gravidez. A morte entre recém-nascidos (até 7 dias) significa 52% do total dos óbitos infantis, em 1980 este índice chegava a 28,75%.
A redução dos índices de mortalidade entre crianças recém-nascidas é mais lenta e trabalhosa porque está relacionada a saúde da mãe, explica Yunes.
A Sociedade Brasileira de Pediatria aproveitará a discussão sobre o assunto e a grande concentração de renomados pediatras e obstetras para promover na noite de hoje o ato público pelo Direito de Nascer e Viver com Saúde, no Ginásio de Esportes Costa Cavalcanti.
O evento, que será encerrado com o show do músico gaúcho Renato Borghetti, servirá também para a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a SBP entregarem a João Yunes um documento com análises e sugestões para as mudanças nas condições atuais de assistência a gestante, ao parto e ao recém-nascido.





