Edson MazzettoSegunda etapa do encontro
foi aberta
ontem, no
auditório
da prefeitura
de CascavelO crescimento em todos os continentes do número de lavradores que se tornam sem-terra provoca riscos de desestabilização da sociedade em todo o mundo. O alerta foi feito ontem em Cascavel por participantes do Encontro Internacional Sociedade, Democracia e Agricultura - A Segurança Alimentar, promovido pela organização APM (Agriculture Paysane et Modernization). A APM é formada por fundações não-governamentais e pesquisadores com objetivo de estimular a melhoria da condição alimentar como fator de preservação da democracia.
O evento, apoiado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas e Universidade Estadual do Oeste do Paraná, teve uma etapa na semana passada em Foz do Iguaçu. Em Cascavel, prosseguirá até quinta-feira, no auditório da prefeitura. Além dos debates, haverá visitas à instituições de pesquisa, cooperativa, vila rural, produtores de alimentos orgânicos e assentamentos de sem-terra em municípios da região.
Participam representantes de 15 países. A região foi escolhida para sediar o encontro porque produz grãos para exportações, mas não tem uma agricultura familiar estruturada. Outro fator é a concentração de acampamentos ou assentamentos de sem-terra na região. Situações levantadas em encontros realizados em todos os continentes são levadas para discussões em fóruns oficiais, entre eles a FAO, braço da Organização das Nações Unidas para alimentação e agricultura.
A preocupação com o aumento dos contingentes de sem-terra foi salientada, entre outros, por Pierre Vuarin, da fundação francesa Charles Mayer. Segundo ele, a internacionalização dos processos de produção, com alguns países subsidiando exportações, estimula o desemprego. Alguns produtos são exportados a preços mais baixos do que são comercializados em seus países de origem, o que provoca o êxodo de pequenos proprietários, que acabam se juntando em acampamentos de sem-terra.
‘‘Milhares de camponeses são permanentemente acrescidos aos contingentes sem trabalho, provocando riscos de desestabilização em todo o mundo’’, disse Pierre Vuarin. Chen Guang, da China, relatou que, em seu país, a agricultura familiar é submetida à política oficial de baixos preços, paralelamente à alta dos industrializados, ‘‘por isso os camponeses têm baixa renda’’. Dao The Tuan disse que, no Vietnã, os camponeses têm em média um hectare de terra, ‘‘no qual têm que produzir para consumo e exportação’’.
Dao Tuan salientou que países do Sudeste asiático se voltaram à exportação principalmente de arroz, café e borracha, ignorando a agricultura de subsistência. Sem renda e sem programas oficiais de apoio, os camponeses asiáticos ‘‘vão virando sem-terra’’, acrescentou. Segundo ele, de forma diferente ao que ocorre no Brasil, onde o Movimento dos Sem-Terra atua em praticamente todas as regiões, no Sudeste asiático os problemas aumentam ‘‘porque eles não tem organização nem mobilização’’.

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