A Secretaria de Obras de Londrina deve realizar a partir da semana que vem reuniões com moradores dos bairros nas cercanias do Anel do Emprego, cujo projeto está sendo formulado a partir de discussões. Ontem à noite, seria realizada um encontro no Clube da Engenharia com a participação dos coordenadores do projeto, de representantes das universidades locais e de profissionais da área.
Segundo o arquiteto João Baptista Bortolotti, um dos estudiosos do projeto, na reunião seriam discutidas questões relativas à ocupação das áreas ao longo dos 42 quilômetros do Anel, como impacto ambiental, uso potencial de terrenos e adequações. O Anel do Emprego será formado por um conjunto de vias que interligariam todas as regiões da cidade e teriam indústrias e comércios instalados às margens. Algumas adequações viárias já foram realizadas em avenidas do município, e outras serão efetivadas com recursos cuja disponibilização está sendo estudada.
De acordo com Bortolotti, o encontro de ontem discutiria a Operação Urbana Consorciada, instrumento previsto no Estatuto da Cidade, que fomentaria a ocupação dos terrenos por indústrias. Um impedimento seriam os coeficientes de aproveitamento de lotes previstos no Plano Diretor: em certos espaços, não podem ser construídas indústrias.
A Operação Urbana Consorciada contornaria justamente essa limitação, já que, a partir do pagamento do Certificado de Potencial de Construção, lotes podem adquirir coeficientes diferenciados e abrigar indústrias. ''Vamos estudar o zoneamento para indicar em quais lotes haverá esse estímulo para a compra de certificados. É necessário considerar o impacto ambiental, já que a atividade industrial inevitavelmente traz problemas como ruído e poluição, então é óbvio que não serão instaladas indústrias ao longo de todo o Anel'', explica Bortolotti.
Segundo o arquiteto, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) fará a venda dos certificados aos proprietários dos lotes, e o dinheiro será investido em benfeitorias na própria região dos terrenos. ''Será uma parceria entre poder público e iniciativa privada, e a participação da comunidade no planejamento do projeto é essencial. É o que chamamos de gestão compartilhada'', cita Bortolotti, lembrando que um conselho de administração do Anel do Emprego será constituído.
Após as reuniões com as comunidades nas próximas semanas, será realizada uma audiência pública antes da conclusão do projeto, que deve ser encaminhado para aprovação na Câmara de Vereadores no mês que vem.

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