Quando criança, Luiz Carlos Sampaio, 81 anos, vivia na Zona Rural, fabricava os próprios brinquedos e se arriscava em traquinagens como ''matar'' aula para nadar no córrego da fazenda. Os alunos da Escola Rural Machado de Assis, na Usina Três Bocas (Zona Sul de Londrina), têm uma infância diferente, com TV, acesso a tecnologias e brinquedos industrializados.
Vivendo a experiência de ser criança, entretanto, eles deram muitas risadas quando ''seu'' Luizinho contou, num encontro realizado ontem no Museu Histórico de Londrina, sobre episódios vividos nos primeiros anos.
A oficina, que reuniu o aposentado e os estudantes (chamada de Fragmentos da Memória), faz parte da programação da 8 Semana Nacional dos Museus. Até o dia 21 deste mês, membros de grupos de idosos de Londrina narram suas memórias e experiências aos mais jovens. O objetivo é integrar as diferentes gerações e levar às crianças e jovens as lembranças, histórias e a sabedoria de quem vivenciou o crescimento da cidade.
Agricultor, Sampaio faz parte da Associação Beneficente e Cultural dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Londrina e Região Norte do Paraná. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), participa de projetos de extensão. Tantos compromissos chamaram a atenção das crianças, que realizaram muitas perguntas sobre essas atividades.
''Muitos velhinhos ficam de pijama e terço na mão. Eu sou diferente, gosto de ser ativo'', brincou ele, que garantiu aprender bastante com a experiência de contar histórias aos mais jovens. ''A espontaneidade e a falta de preconceito das crianças sempre me tocam'', disse.
Giovana, 8 anos, opinou que Sampaio ''sabe lidar com as crianças''. ''Ele não é como as outras pessoas mais velhas, que sempre deixam para explicar o que a gente pergunta depois'', explicou. Impressionada com a disposição de Sampaio, ela garantiu que vai ser uma ''velhinha'' bem ativa quando chegar a hora. ''Também vou fazer bastante coisa'', disse.
As histórias de antigamente também encantaram Stefani, 8, que não imaginava como era a vida no tempo dos bisavós. ''Antigamente já tinha muita gente no mundo, muitas pessoas trabalhando'', impressionou-se. Débora, 10 anos, achou que ''seo'' Luiz era muito trabalhador. ''Ele era como minha mãe'', comparou.
Além da conversa com o aposentado, a menina gostou de conhecer o museu e visitar a exposição do fotógrafo Haruo Ohara, que retrata a vida da comunidade japonesa desde os primeiros anos de Londrina. ''É legal porque ele (Ohara) fazia 'quadros' das famílias. As roupas, os sapatos e os lugares eram muito diferentes.''

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