Encontro de Aleitamento começa hoje e deve reunir 900 pessoas
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terça-feira, 16 de setembro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Começa hoje o 5º Encontro Nacional de Aleitamento Materno. O evento deverá reunir em Londrina, até o dia 20, cerca de 900 profissionais da área da saúde de todo o País. As palestras e atividades serão realizadas no Cine Teatro Ouro Verde, na Associação Médica de Londrina (AML), no Hospital Universitário e na Universidade Norte do Paraná (Unopar).
Segundo os especialistas da área, o maior obstáculo dos trabalhos de apoio e incentivo ao aleitamento materno já não é mais o convencimento da mãe. Hoje, a dificuldade que merece uma atenção especial é o convencimento da família e da comunidade em geral sobre importância de amamentar. Quando a mãe está cercada de familiares que entende a importância de amamentar o bebê, e de amigos que a incentivam, tudo fica mais tranquilo, disse ontem a coordenadora do Programa de Aleitamento Materno da Organização Mundial de Saúde (OMS), Felicity Savage King, que foi convidada para o evento em Londrina.
A médica falou sobre a importância do apoio da comunidade no resgate do aleitamento materno em um encontro com mães do jardins Perobal e Franciscato (Zona sul). Algumas mães sabem amamentar naturalmente e outras precisam aprender. Mas as duas só vão conseguir manter a decisão de amamentar seus filhos se contarem com o apoio da família e dos amigos e orientação técnica adequada.
Durante a reunião realizada ontem à tarde na escola oficina Testalosi, no jardim Franciscato, Felicity King elogiou o trabalho desenvolvido pela equipe de saúde e mães da região. Cerca de 250 mães participam do programa de puericultura do posto de saúde, que desenvolve um trabalho específico de incentivo e apoio ao aleitamento materno.
Ao todo, cinco mães voluntárias fazem visitas periódicas às gestantes, esclarecendo dúvidas e explicando a importância da amamentação para a criança. Por melhor que seja o treinamento do profissional de saúde, a troca de experiências de mãe para mãe é muito mais eficiente, ressaltou a coordenadora da OMS. Felicity King explicou que, apesar do consenso aparente da qualidade do leite materno como alimento e defesa contra doenças, as mães continuam inseguras.
A médica esclareceu que, além da insegurança natural resultante da maternidade, as mães de hoje ainda têm de conviver com uma geração de avós que não amamentaram os filhos. Ela lembrou que, na década de 30, houve uma mudança fundamental na história da maternidade: as mães começaram a ser levadas aos hospitais para dar à luz.
Com a mudança, as mulheres perderam o apoio de suas mães e avós, até então as responsáveis por transmitir todo o conhecimento necessário para cuidar da criança. O afastamento entre mãe e bebê após o parto, adotado até recentemente nos hospitais, agravou ainda mais a insegurança das mães. Na rastro das mudanças culturais, as indústrias de alimentos investiram pesado na propaganda de leites para bebês, massificando idéias que permanecem até hoje. Entre elas, a de que o leite materno é fraco.
A médica Felicity King esclarece: O leite materno é insubstituível. É único porque é feito de mãe para filho. Perfeito para alimentar e proteger a criança, inclusive de doenças que a própria mãe possa ter.


