Numa cidade formada por mais de 30 etnias, além dos nordestinos, mineiros e paulistas que plantaram suas raízes na terra roxa de Londrina, a 4ªFesta do Migrante realizada pelo Santuário Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova (Área Central), durante toda a semana, com encerramento ontem, refez através das danças, comidas típicas e outras tradições, o caminho dos que deixam a terra natal, fazendo da terra estrangeira a sua casa.
  ‘‘Todo migrante precisa de quem o acolha. Temos na Paróquia uma congregação, a dos padres Carlistas, que faz esse acolhimento, levando as pessoas a se sentirem em casa’’, comentou a auxiliar de escritório, Cleusa Isabel Freiria, 50 anos, paroquiana que participava das festividades.
  Embora a festa fosse para homenagear o Dia do Migrante, data comemorada ontem, e que lembra as pessoas que mudam de uma região para outra no País, a comemoração celebrou todas as nações que colonizaram Londrina.
  A data coincide com a da morte do beato João Batista Scalabrini, fundador da ordem dos padres Carlistas, considerado o pai dos migrantes.
  Os religiosos estão em 37 países e uma das atuais preocupações da congregação no Brasil é com os brasileiros que vivem no exterior.
  ‘‘Hoje temos padres do Brasil nos Estados Unidos e em países da Europa, como Portugal, Espanha, Itália e Suíça, além do Japão. Eles acompanham a situação dos brasileiros, que buscam melhores oportunidades no estrangeiro’’, afirmou o pároco do Santuário Nossa Senhora Aparecida, Valdecir Molinari.
  O padre destacou que muitos londrinenses e pessoas da região ainda migram para São Paulo e Minas Gerais em busca de trabalho volante, conhecido também como bóia-fria, nas fazendas de café.
  ‘‘Boa parte é de pessoas levadas por ‘gatos’, que as contratam para trabalho volante, e nem sabem direito para onde vão e, às vezes, nem o quanto vão ganhar. Uma vez por ano, nos meses de julho e agosto, eu viajo para São Paulo e Minas Gerais para encontrar essas pessoas e ver a situação em que estão vivendo’’, comentou padre Molinari.
  Durante toda a semana, o Santuário, que sedia a Pastoral do Migrante, realizou várias atividades, como palestras, exibição de filmes e uma missa, com a apresentação das 37 bandeiras onde está a congregação dos Carlistas.
  No encerramento ontem, paroquianos e visitantes puderam se divertir apreciando pratos de comidas típicas, como quibe e tabule, e diversas danças, entra as quais o flamenco e dança do ventre.
  Tipicamente vestida como libanesa, nação de origem dos pais, a comerciante Leila Janene Araújo, 42 anos, disse que a família chegou do Líbano em 1950.
  ‘‘Eu mesma sou migrante ao me mudar de Santa Inês para Londrina, há 40 anos. Quando chegamos foi muito importante sermos bem acolhidos. Morando há quatro décadas aqui, agora é a gente que acolhe os que chegam, não é mesmo?’’

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