O Corpo de Bombeiros de Curitiba encontrou ontem mais um pedaço da ossada que pode ser do menino Ewerton de Lima Gonçalves, que desapareceu em 23 de setembro de 1988, com 4 anos. Pedaços de um crânio e da arcada dentária foram achados anteontem pelo pai de Ewerton, o funcionário público José Vicente Gonçalves, em um terreno baldio no bairro Ahú de Baixo. Ontem o Instituto Médico Legal (IML) confirmou que os ossos são humanos. A princípio a polícia acreditava que a ossada podia ser de um cachorro.
Hoje os peritos do instituto devem responder se os ossos são de uma criança. Caso isso seja confirmado, o delegado do Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas do Paraná (Sicride), Harry Hebert, pedirá um exame de DNA para verificar se a ossada é de Ewerton. O exame deve demorar entre 10 e 15 dias. Existe ainda a possibilidade de os ossos serem de um adulto, o que descartaria a realização do exame. O delegado leva em conta a possibilidade de os ossos terem sido colocados no local para atrapalhar as investigações sobre o desaparecimento do menino. ‘‘Se for isso, ele (quem colocou os ossos) conseguiu. Se os ossos não forem de Ewerton, de quem são? Houve um crime naquele terreno’’, disse.
O osso encontrado ontem é o temporal direito e corresponde ao que faltava no crânio encontrado anteontem. Segundo Herbert, são da mesma pessoa. O sargento Heleno Dias da Silva, que coordenou as buscas ontem à tarde, disse que o osso foi encontrado a cerca de seis metros do local onde foram achados o crânio e a arcada dentária. O corpo de Bombeiros também encontrou outros ossos em um poço de um terreno próximo, mas segundo Herbert, existe pouca probabilidade de serem humanos. Todo o material encontrado foi levado ao IML.
Sentada em um banco sob a sombra de uma árvore, a mãe de Ewerton, Eliane de Lima Gonçalves, acompanhou as buscas. Abatida, ela não descartou a hipótese dos ossos encontrados serem do filho. Para ela, a pessoa que fez as denúncias anônimas ao Sicride pode ser o responsável pela morte do filho e estaria dando um fim às buscas da família, que já duram 10 anos.
Aparentemente refeita do choque de anteontem, quando teve que ser medicada para suportar a dor, Eliane disse que estava enganada quando afirmava estar preparada para receber a notícia de que o filho estaria morto. ‘‘Eu não tinha consciência do que falava. Ontem senti na pele o que é perder um filho. Isso acaba com qualquer pessoa’’, disse ela, que sempre afirmou ter certeza que encontraria Ewerton vivo.

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