Encontrado cadáver de índio no Apucaraninha
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de abril de 1998
Benê Bianchi 
Morreu mais um índio na Reserva do Apucaraninha, em Tamarana (55 quilômetros ao sul de Londrina. O corpo de Cipriano Caetano, 34 anos, foi encontrado no início da tarde de terça-feira numa mata distante cerca de dois quilômetros da sede da reserva, sem marcas de violência. O cadáver passou pelo Instituto Médico Legal e foi liberado, constando que a morte foi natural. É a segunda morte no Apucaraninha esta semana. No dia 19, o caingangue Timóteo Pereira, 77 anos, morreu depois de levar uma chifrada de um touro, durante os preparativos para um rodeio na Reserva, que seria realizado em comemoração ao Dia do Índio,
Segundo o cacique da reserva, Jucelino Vergílio, Cipriano Caetano estava desaparecido desde o dia 12. Ele era técnico do nosso time e havia ido com a gente jogar bola em Tamarana. Quando voltamos já era noite e cada um foi para sua casa. Pensei que ele também tinha ido para a sua, relata o cacique, que só soube do desapareimento do índio no último domingo.
Cipriano morava na reserva há cerca de dois anos com a mulher - que está grávida de quatro meses - e outros dois filhos. De acordo com o cacique, a casa da família é um pouco distante da sede e por isso ele não sentiu a falta do índio. A mulher dele também não me falou nada porque pensou que ele tivesse ido passar uns dias na colônia Barreiro - onde moram cerca de 15 famílias indígenas. No domingo, quando o pessoal da colônia veio para a sede e Cipriano não apareceu, ela me falou que ele tinha sumido.
Ainda de acordo com o cacique, o corpo do índio foi encontrado no caminho para o rio que corta a reserva. Achamos isso estranho porque não era o caminho da casa dele, observa o cacique. A Polícia Federal, responsável pelas investigações que envolvem causas indígenas, já abriu inquérito para apurar a morte de Cipriano Caetano. O inquérito será presidido pelo delegado José Alberto Iegas. Na Reserva do Apucaraninha residem cerca de 980 índios.


