Londrina
Um protesto contra o atraso de dois meses no pagamento dos salários e benefícios reuniu, ontem de manhã, cerca de 60 trabalhadores da construção civil em frente à sede da Encol, na avenida Juscelino Kubitschek (área central). ‘‘Muitos empregados estão passando fome, tiveram sua luz cortada e os credores encerraram suas contas nas mercearias onde ainda tinham crédito. Eles não podem mais continuar aguardando indefinidamente’’, reclama o secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores nas empresas da Construção Civil, Paulo Sérgio Alves da Silva.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, a Regional da Encol de Londrina responde por 600 trabalhadores em sua área de abrangência - de Presidente Prudente a Foz do Iguaçu.
Na mesma situação de Londrina, estão 12 mil funcionários da empresa, espalhados em 710 obras em todo País.
Além dos salários, a entidade denuncia que a empresa não repassou o vale compras (R$ 42,00) previsto em Acordo Coletivo da categoria, e há dois anos não recolhe o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Em consequência do protesto, representantes da empresa e do sindicato se reuniram ainda na parte da manhã, mas não houve consenso.
De acordo com os sindicalistas, a empresa ofereceu metade dos pagamentos em troca do fim da manifestação. ‘‘Não disseram quando iriam pagar esta primeira parcela, nem estabeleceram um prazo para pagar a dívida. Não temos como aceitar uma proposta dessas’’, afirmou o diretor de finanças do sindicato, José Aparecido Martins.
Ele esclarece que, em outra negociação, a empresa havia assumido o compromisso de repassar parte dos pagamentos até o dia 14, mas não cumpriu a promessa nem deu retorno aos trabalhadores. ‘‘Não dá para confiar nas promessas da Encol.’ De acordo com a entidade, as perspectivas dos 250 empregados da construtora receberem os salários atrasados a curto prazo ficaram ainda mais complicadas no início do mês. A empresa deu licença ‘‘remunerada’’ para todos os empregados de 3 de junho a 3 de agosto, alegando falta de material. As 8 obras da empresa na Cidade estão paralisadas.
‘‘Ninguém está sendo demitido porque o sindicato não aceita parcelar as rescisões. Já tivemos a experiência e eles pagam a primeira parcela mas não cumprem as restantes’’, diz Martins. A entidade confirma que a situação é a mesma em todas as cidades onde a Encol tem obras. Há cerca de 15 dias, a empresa e os 38 bancos credores estabeleceram um acordo, através do qual os bancos passariam a financiar a conclusão das obras diretamente com os clientes da Encol (compradores dos imóveis).
Informações fornecidas pela empresa de Londrina confirmam que, até agora, o acordo foi assinado com os primeiros 13 maiores bancos. (Veja matéria nesta página).
Enquanto o acordo não é fechado com todos os bancos, a empresa estaria negociando, em Brasília, a liberação de recursos para arcar com as dívidas operacionais. A Encol de Londrina tem, em dívidas imediatas com pessoal, R$ 115 mil, só na Cidade. O sindicalista José Aparecido Martins argumenta: ‘‘Entendemos o problema que a empresa está enfrentando. Ninguém aqui quer que a Encol feche. Mas a situação social desses trabalhadores é grave e precisa ser levada em conta.’

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