Marcos BorgesNo meio do caminhoA água invadiu as ruas mais baixas de Jataizinho, gerando problemas de travessia e assustando os moradores, que temem mais perdasOnze dias depois da enchente do rio Tibagi, os moradores de Jataizinho (21 quilômetros a leste de Londrina) voltaram a conviver ontem com o drama das cheias. Anteontem, as águas do Tibagi atingiram 4,80 metros acima do nível normal. O rio, segundo informação da prefeitura de Jataizinho, chegou a 6,50 metros de profundidade.
A situação ficou mais crítica entre meia-noite e 2 horas de ontem, quando foram alagadas 28 casas localizadas às margens do rio e nas partes baixas de Jataizinho. Segundo o prefeito Luiz Sato, cerca de 100 pessoas ficaram isoladas em pequenas ilhas. Na cidade, quatro famílias tiveram que ser abrigadas no ginásio de esportes Domingão.
Assustados com a cheia ocorrida no dia 22 de janeiro - a maior de toda a história da cidade, segundo moradores de Jataizinho, quando o Tibagi subiu sete metros acima do nível normal - muitos trataram, ontem, de evitar a perda de seus pertences. A dona-de-casa Hayako Nomura Kazuno, 77 anos, moradora na vila Frederico, ainda mantinha o ventilador e o rádio amarrados com uma corda à viga do telhado da casa. ‘‘Disseram que vem outra enchente’’, justificou a dona-de-casa, bastante preocupada, ontem pela manhã. A água do rio, desta vez, disse a mulher, não chegou a alagar sua casa.
Nas proximidades dos conjuntos habitacionais Pombal 1 e 2, a travessia de um trecho da rua que dá acesso ao bairro acabou se transformando em problema para alguns e distração para outros. Carmem Figueiredo de Lima, moradora em Ibiporã, ouviu logo cedo notícias pelo rádio de que a situação no bairro onde mora sua sobrinha era crítica. Para conferir de perto, precisou criar coragem e atravessar a rua coberta pelas águas. ‘‘Não tem perigo não; sei nadar’’, disse Carmem. ‘‘Se eu rodar, Deus me ajuda.’’
Marcos BorgesUtilidade O aposentado Vicente Souza aproveitou cheia para lavar bicicleta

A água correndo sobre a rua virou diversão para a criançada. Algumas faziam a travessia evitando molhar o calção. Outras não resistiam e mergulhavam nas águas barrentas. O aposentado Vicente Souza, 77 anos, aproveitou para lavar sua bicicleta. Enquanto removia o barro de sua ‘condução’, lembrava do prejuízo da cheia passada. ‘‘Perdi geladeira, cama, móveis, tudo’’, lamentava Souza, morador da rua Brasília.
O prefeito de Jataizinho percorreu o município ontem por volta das 7h30 e verificou que o nível do rio já havia voltado ao normal. Comparando com a enchente do mês passado, Luiz Sato disse que desta vez o prejuízo foi menor. O município recebeu ajuda da Defesa Civil do Estado, que enviou colchões, cobertores e alimentos. Os desabrigados também foram ajudados por membros de igrejas e entidades que fizeram doações.
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Luiz Sato informa que ainda há moradores necessitando de colchões, roupas e alimentos. A prefeitura deve fazer, como na cheia passada, a higienização e dedetização das casas alagadas, para evitar o surgimento de doenças. O prefeito lembra que as cheias no município não são anuais e que as principais ocorreram em 1938, 1983 e 1992. ‘‘Os moradores mais antigos dizem que essa última, ocorrida em janeiro, foi a pior de todas’’, afirma Luiz Sato.
A prefeitura, disse Sato, tem procurado se manter informada sobre a situação na cabeceira do rio Tibagi, para tomar providências rápidas no caso de novas cheias.

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