Enchente afeta abastecimento de água
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de janeiro de 1997
Edmara Michetti 
Paulo WolfgangMãos à obraOntem, funcionários da Sanepar consertavam as máquinas para que abastecimento fosse retomado
A estação de captação de água Tibagi, da Sanepar, localizada na Água do Limoeiro (zona leste), ficou submersa com o transbordamento do rio. A enchente na estação Tibagi afeta o abastecimento de água em parte de Londrina e Cambé, que deve continuar suspenso hoje. Em Londrina, as regiões afetadas são a Norte, Sul e Leste.
A água atingiu o ponto máximo ontem pela manhã. A casa de bombas ficou coberta com água até as lâmpadas que ficam no alto das paredes laterais. A cabine de alta tensão da estação também ficou debaixo dágua. O subsolo continuava cheio de água até o final da tarde de ontem. Os funcionários afirmam que o trabalho de escoamento com uma mangueira começou às 9 horas.
O engenheiro Luiz Alberto Niero afirma que na quarta-feira à noite, quando o fornecimento de água foi cortado, a energia elétrica precisou ser desligada. Dois dos três motores, dos conjuntos motor-bomba, foram retirados para evitar comprometimento na parte elétrica. Segundo o engenheiro, não houve tempo para tirar os três. O que ficou foi alagado e terá que passar por uma secagem para depois sabermos os prejuízos, afirma Niero.
Ontem uma equipe de mais de 10 funcionários da manutenção trabalhava para recolocar a estação em funcionamento. Depois de esvaziar a casa de máquinas e lavar o local, eles instalavam os motores de volta. Até o final da tarde de ontem, os funcionários não sabiam se houve comprometimento na cabine de alta tensão. Vamos ter que ir avaliando conforme retomamos o funcionamento para sabermos os prejuízos totais, diz Niero.
Expectativa era de
que captação fosse
retomada em 50% na
madrugada de hoje
O gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, explica que não basta religar o sistema para que o fornecimento regularize. Ele afirma que o tanque hidropneumático, que funciona como proteção da adutora e dos equimentos, fica desequilibrado quando o sistema é desligado. Precisa reequilibrá-lo para depois começar distribuir água para o reservatório, diz.
A expectativa de Niero ontem era de que nesta madrugada a captação retornasse em 50%. Mas é expectativa, não temos como fazer uma previsão, diz.
Kishima pede às pessoas que começarem a receber água que continuem racionalizando. Os pontos mais altos e os mais distantes dos reservatórios são os últimos a receber água e podem ser prejudicados se não houver racionamento, explica.
As chuvas constantes já começam a refletir nos mercados que, sem produtos, aumentam os preços. Com as estradas da zona rural esburacadas e, em alguns casos, interditadas, os produtores não têm como transportar os produtos para os distribuidores. Segundo funcionários das Centrais de Abastecimento Paraná (Ceasa) a entrega de produtos foi afetada em 90%. Segundo o vendedor Ednelson Leonel, do Mercadão, os preços dos produtos em geral aumentaram em média 50%. No caso do tomate, segundo ele, o aumento já chega a 100%. Ele acredita que a situação só comece a normalizar em 30 dias.
A previsão do Sistema Meteorológico do Paraná (Sismepar) é que de mais chuva para hoje, em toda região Norte do Estado. O tempo começa a melhorar amanhã.


