Encaminhamento errado
piora situação do HRC
Paulo Pegoraro
Como e quem deve atender pessoas carentes que tentam socorro no serviço público de Saúde, e se os problemas destas pessoas são municipais, estaduais ou federais, são questões sem respostas em Cascavel.
Ontem, a direção do Hospital Regional de Cascavel (HRC), mantido pelo Estado, classificou como ‘‘insustentável’’ a situação. Um grande número de pessoas procura consultas no estabelecimento, que é de pronto-socorro.
Segundo a direção, o atendimento ambulatorial deve ser feito em postos de saúde da prefeitura. Nestes locais são poucas as consultas disponíveis e o horário para atendimento é restrito ao expediente. Em entrevista coletiva, a diretora-geral do HRC, médica Lilimar Mori, pediu apoio para uma campanha de esclarecimento em toda a região, sobre a função do hospital.
A diretora relatou que 52% das pessoas que procuram o HRC deveriam ser atendidas em outros locais, porque têm problemas ‘‘do tipo pé torcido há vários dias, ou uma dor de barriga’’. Pela média, mais de 300 pessoas procuram diariamente o hospital. Em relação aos internamentos, os 140 leitos estão sempre ocupados e 40 estão desativados por falta de pessoal. Os partos, que eram na média de 100 ao mês até o ano passado, atualmente são 300.
O corpo clínico só consegue garantir atendimento diuturno em pronto-socorro, centro obstétrico e UTIs. As consultas têm sido feitas como uma ‘‘concessão’’, desde que começou a aumentar a procura. Isso já gerou discussões com médicos, agressões físicas e até acusações de que houve negligência no atendimento. Lilimar reconhece que os carentes ‘‘não querem saber se seu problema é municipal, estadual ou federal’’ (postos de saúde, HRC ou SUS).
Ela afirma que reclamações dos hospitais privados sobre remuneração se justificam ‘‘apenas parcialmente’’, e pede que os postos assumam sua parte. O diretor clínico Cláudio Bibiano vai além: prefeituras vizinhas ‘‘despacham’’ pacientes para consultas no HRC, ‘‘lotando kombis, que custam mais barato que o atendimento’’.
O secretário de Saúde de Cascavel, Lísias Tomé, garante que o atendimento em postos de saúde, tem agora ‘‘importantes avanços’’. Ele cita a realização de 28 mil consultas ao mês, pela média, nos 26 postos. Segundo ele, a oferta de atendimento ambulatorial está sendo ampliada com um posto (bairro Santa Cruz) atendendo até às 22 horas, e outro (no bairro Floresta), que polarizam regiões da cidade com população carente.

mockup