E.M.S. completa 18 anos. Feliz Aniversário, E.M.S.!
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segunda-feira, 29 de abril de 2002
Sid SauerEquipe da Folha 
Campo Mourão Não havia na cidade quem não conhecesse o Porquinho. O pobre menino ganhou esse apelido porque vivia sujo pelas ruas centrais. Remexia um latão de lixo aqui, outro ali. De vez em quando aparecia com uma caixa de engraxate. Banho não era o seu forte. As roupas encardidas e rasgadas contribuíam para o apelido.
Porquinho não tinha pai. Morava num barraco na periferia junto com a mãe, uma ex-doméstica que se tornou alcoólatra, e outros quatro irmãos mais novos. A avó, muito doente, também morava com eles. Era da aposentadoria dela que vinha a única renda da família. Vida difícil, da qual Porquinho trocou pelas ruas.
Porquinho não estudou. Era matriculado todo ano, mas fugia da escola. Mal aprendeu a ler e a escrever. Na rua e sem família, começou a fazer o que não devia muito cedo. Dos atos de vandalismo aos pequenos furtos, da bebida alcoólica às drogas, tudo aconteceu rapidamente. Assim, aos 14 anos, ele já era arrombador de residências.
E foi nessa idade que Porquinho foi parar na delegacia pela primeira fez. A partir daí, passou a ser conhecido também por outro nome: E.M.S.. Eram as iniciais do nome dele que começaram a ocupar os boletins de ocorrências policiais. Era difícil passar uma semana sem que E.M.S. não fosse citado em programas policias do rádio.
Era um tal de E.M.S. ser pego furtando, ser flagrado com mercadoria roubada, ser visto cheirando cola de sapateiro, ser dedurado por colegas da gangue, enfim, virou o pequeno terror da pacata cidade. A própria comunidade se acostumou a ver E.M.S. no boletim da polícia num dia e de volta às ruas no outro.
E.M.S. também se acostumou com essa vida. Só estranhou quando os policiais o flagraram com uma bicicleta roubada e dispararam gargalhas ao checar seus documentos. Gargalhadas? Pudera! Nem E.M.S. lembrava, mas ele estava de aniversário nesse dia: 18 anos!
Feliz aniversário!, exclamou o soldado. De presente, E.M.S. ganhou uma cela só sua naquela cadeia vazia e, pela primeira vez, em muitos anos, Porquinho tinha um teto para dormir e três refeições por dia. Ah, que aniversário feliz foi aquele!...


