Empréstimos estão vencendo
Caso um acordo entre governo e as concessionárias do Anel de Integração não saia a médio prazo, a qualidade das estradas pode começar a piorar. Nos próximos dois meses, começam a vencer as primeiras parcelas dos empréstimos contraídos por cinco das seis concessionárias. De acordo com a gerência regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), esses empréstimos foram feitos com juros de mercado que estariam estrangulando o faturamento das empresas.
Segundo o diretor regional da ABCR, Washington Lemos Filho, neste mês vencem os empréstimos das concessionárias Rodonorte e Viapar. ‘‘Com exceção da Caminhos do Paraná, as concessionárias estão pagando empréstimos com taxa de juros anual de 35%’’, afirma. Lemos Filho explica que na época, como as empresas estavam sem dinheiro, foram obrigadas a contrair dívidas de curto prazo (empréstimos ponto) para recuperar as estradas. ‘‘Foi dado seis meses, tempo curto, para um aporte de capital maior para realizar a reforma’’, comenta.
A intenção das concessionárias era tentar, após iniciada a cobrança das tarifas, empréstimo de agências de fomento, que cobriria os realizados junto à iniciativa privada. No entanto, com a redução dos preços, os bancos não as financiaram. ‘‘Era preciso um projeto de metas, que foi extinto com a redução de preço’’, afirma. Desde julho as metas de trabalho e o valor do pedágio estão sendo discutidos na Justiça.
Lemos Filho informa que as concessionárias hoje estão tendo resultados financeiro e econômico negativos. ‘‘Os acionistas das concessionárias estão bancando os prejuízos’’, afirma. Apesar da situação, nenhuma delas tem interesse de abandonar o negócio.
Uma semana antes do protesto dos caminhoneiros, o governo estadual e as empresas estavam chegando a um acordo. Tanto que as concessionárias tinham suspendido a venda antecipada de bilhetes. A proposta era aumentar em 80% para caminhões e 100% para carros pequenos. O governo queria a restauração de 1,2 mil quilômetros e duplicação de 200 quilômetros de rodovias. Na última quinta-feira, o secretário dos Transportes, Heinz Herwig, informou aos diretores das concessionárias que o governo não pensa em reajustar as tarifas. Herwig alegou não haver clima. (I.R.)

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