Silvana Leão
De Londrina
Um pintor londrinense que ganha R$ 450,00 por mês pode estar sendo vítima de golpe de estelionato no interior de São Paulo. O nome de Antonio Aparecido da Silva, de 30 anos, morador do Jardim Acapulco (zona sul), consta perante a Receita Federal como acionista majoritário e sócio-gerente de seis empresas que atuam em ramos diversificados em três cidades daquele Estado.
Anteontem, Silva entrou com uma ação criminal para apurar os responsáveis pelo golpe. O advogado que está cuidando do caso, Rogério Resina Molez, prefere que não sejam divulgados os nomes das cidades para não atrapalhar as investigações do Ministério Público, mas revelou que as empresas trabalham nos ramos de fabricação de doces, telefonia celular, empreendimentos e participações, churrascaria e pizzaria, e comércio e representações.
Todas as empresas, segundo o advogado, são de grande porte, estão em pleno funcionamento e, aparentemente, encontram-se em boa situação financeira. ‘‘Está evidente que tratam-se de fraudes. A assinatura dele foi falsificada em todos os contratos’’, afirma Molez, referindo-se a seu cliente. O advogado não descarta a possibilidade de as empresas estarem sendo usadas como fachada para lavagem de dinheiro.
Antonio da Silva só ficou sabendo que seu nome foi utilizado na montagem das empresas há pouco mais de dois meses, quando recebeu uma notificação da Receita Federal para que regularizasse sua declaração de imposto de renda pessoa física. ‘‘Na hora eu levei um susto, imagina, eu trabalhando como pintor e tendo um monte de empresa no meu nome’’, diz Silva.
Ele procurou o órgão federal e, de posse do nome das empresas e de sua localização, viajou para uma das cidades para checar se o negócio estava de fato funcionando. Constatou que ‘‘sua’’ churrascaria estava bem instalada e com bom movimento. ‘‘Almocei lá e até pedi nota fiscal, para ver se o CGC batia com o número da Receita.’’
Para descartar a possibilidade de erro de processamento, o advogado também se dirigiu às três cidades e requereu cópia dos contratos sociais das empresas. ‘‘Constatei que toda a documentação bate com a do Antonio, e que ele figura não apenas como acionista majoritário, mas sócio-gerente, respondendo por todos os atos. Não tem como ter sido erro da Receita Federal. Está claro que alguém está agindo de má-f钒, afirma Rogério Molez.
Só o nome de Antonio da Silva consta em todos os contratos. Os outros sócios são diversificados. Também mudam nos contratos os endereços de Silva: em cada um deles foi escolhido um município paranaense. De acordo com Molez, o advogado que assina todos os contratos também é do interior de São Paulo.
O pintor, que é casado e tem dois filhos, conta que sequer conhecia as três cidades onde estão instalados os negócios. Uma delas, conheceu na recente visita à churrascaria. Quanto aos outros sócios, diz que nunca ouviu falar em seus nomes. Há cerca de três anos Silva perdeu sua carteira de identidade, registrando inclusive queixa na polícia. O advogado diz, porém, que não é certo que isto tenha alguma ligação com o caso, já que o principal documento para constituir uma empresa é o CPF.
O caso agora entra em fase de instauração de inquérito e, segundo Molez, será enviada notificação à Receita Federal, junto com o termo de declaração perante o Ministério Público, para que seja regularizada a situação de Antonio Aparecido da Silva. ‘‘Eu e minha mulher estamos muito preocupados, já que sempre procuramos fazer tudo corretamente’’, conta Silva.

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