Caminhões carregados com centenas de sacas de café partem diariamente de Londrina com destino aos portos de Paranaguá e Santos (SP), ou em direção às indústrias torrefadoras de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de outros estados brasileiros. A novidade é que agora as carretas seguem sempre em comboios escoltados por automóveis com seguranças fortemente armados.
Pressionados pelo aumento no número de assaltos e pelas novas exigências impostas pelas seguradoras, os donos de empresas especializadas no transporte de café estão recorrendo cada vez mais às escoltas realizadas por firmas de segurança credenciadas pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça para a cobertura de transportes de valores.
No domingo, a Transportes Igapó colocou na estrada rumo ao porto de Santos 12 carretas com 450 sacas - equivalentes a 27 toneladas - cada uma. O comboio saiu de Londrina sob uma forte escolta e não teve problemas para chegar ao destino. O mesmo não aconteceu com um caminhão da empresa que levava o produto sozinho em abril. Ele foi assaltado entre São Paulo e Santos, na Rodovia dos Imigrantes, quando o motorista descansava no estacionamento de um posto de pesagem. Foi o último roubo de café sofrido pela Igapó.
O motorista foi feito refém e permaneceu cerca de oito horas amarrado e amordaçado em poder dos assaltantes. Eles levaram toda a carga e abandonaram o caminhão em Osasco - na grande São Paulo -, onde foi encontrado dois dias depois. O valor da carga de café de uma carreta varia entre R$ 90.000,00 e R$ 130.000,00, dependendo da qualidade do produto.
Quando ocorrem assaltos, os donos do café - exportadoras ou indústrias - são ressarcidos pelas transportadoras e o prejuízo fica com as seguradoras. É por isto que elas têm se negado a segurar este tipo de carga ou aumentado em muito as exigências feitas às transportadoras. Entre as novas exigências está a presença da escolta armada aos caminhões.
‘‘Nossa carga é valiosa, muita visada pelas quadrilhas de assaltantes que atuam notadamente em São Paulo. Por isto, não carrego uma saca de café sem cobertura do seguro’’, comenta Aparecido Meira, proprietário da Transportes Igapó, que atua no ramo desde 1964. ‘‘Os assaltos são sempre muito parecidos. Os assaltantes só têm interesse na carga e logo abandonam o caminhão. O problema se agravou muito da metade do ano passado para cá. Estamos preocupados, porque a maioria das seguradoras está se recusando a dar cobertura para o transporte de café.’
Segundo ele, as poucas seguradoras que prosseguem operando neste setor dobraram o preço do seguro. O seguro da carga de uma carreta de café de Londrina para Santos, que no ano passado custava no máximo R$ 90,00, hoje não sai por menos de R$ 180,00. O frete cobrado pela transportadora dos donos do café é de aproximadamente R$ 1.200,00. E pode aumentar, na avaliação de Aparecido Meira, se permanecerem as dificuldades impostas pelas seguradoras e os gastos com a segurança nas viagens.
O proprietário da Transportes Nacional, Nabor Paulo dos Santos, diz que as empresas de segurança cobram em média R$ 1,30 por quilômetro rodado. ‘‘Cada viagem de Londrina a Santos fica em torno de R$ 800,00 mais cara. Este valor tem que ser obrigatoriamente repassado ao preço do frete. Isto está dificultando o nosso negócio’’, afirma, lembrando que a sua transportadora teve quatro caminhões de café assaltados no ano passado.

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