A promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Maria Lúcia Ferreira Reichenbach, se reunirá no próximo dia 25 com quatro sindicatos que agregam os maiores fabricantes de agrotóxico do País. A reunião será para que as empresas providenciem a destinação dos produtos poluentes estocados na Colônia Penal Agrícola em Tamarana (60 quilômetros de Londrina).
Os produtos estocados são o BHC, DDT e Aldrin, apreendidos há 9 anos pelo Serviço de Fiscalização da Secretaria de Agricultura do Paraná e que representam um constante perigo ao meio ambiente e à população. Apesar dos riscos de contaminação para toda a região, não existe nenhum guarda para dar segurança ao local. A promotora vai exigir providências imediatas das empresas representadas.
Estarão em Londrina representantes da Associação Brasileira das Indústrias Químicas, Associação das Empresas Nacionais de Defensivos Agrícolas, Associação Nacional de Defensivos Vegetais e Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas do Estado de São Paulo. Segundo a promotora, os representantes irão trazer um programa de nível nacional já firmado com Ministério da Saúde para incinerar os produtos.
‘‘Cada uma das empresas terá que incinerar o respectivo produto que fabricou, pois pelos rótulos dos tambores podemos identificá-las’’, garantiu Maria Lúcia. Ela prometeu que se nada ficar definido na reunião vai entrar com uma ação judicial contra os fabricantes responsáveis pelos produtos depositados em Tamarana.
O agrônomo Rui Leão Muller, coordenador da área de tecnologia e saneamento da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Sudersa) disse, em reportagem da Folha publicada em 7 de maio, que o custo para incinerar os agrotóxicos são de cerca de R$ 8 milhões.
Durante a gestão do então secretário da Justiça e Cidadania (1994), o atual deputado estadual José Tavares, o Estado chegou a se manifestar no sentido de arcar com as despesas da incineração. Mas a idéia foi arquivada devido aos altos custos da operação.
A intenção era fazer do local um presídio provisório, que iria desafogar a superlotação dos Distritos Policiais (DPs). Na época, a Cadeia Pública havia sido desativada e os presos, transferidos para os DPs, onde estão até hoje.
Em maio deste ano, como primeira ação efetiva para retirar o agrotóxico da Colônia Penal, a promotora ameaçou ajuizar uma ação pública contra o Estado do Paraná pelo abandono dos produtos tóxicos nos galpões que não oferecem segurança.
‘‘O Governo do Paraná na época (1988) foi omisso, pois deveria obrigar os próprios fabricantes a dar uma destinação para estes produtos tóxicos’’, afirmou Maria Lúcia. Ela disse que, se fosse acionar o Estado, o caso levaria muito tempo para ser julgado.
Ontem, Maria Lúcia firmou acordo com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). O acordo trata diretamente de poluição de bacias e córregos de Londrina. A Sanepar se comprometeu a executar as obras de tratamento de esgotos coletados na bacia Lindóia, Primavera, Quati, Água das Pedras, Limoeiro e Cambé. A Companhia terá um prazo de 18 meses, após a assinatura do contrato, para o início das obras. Caso o prazo não seja cumprido, a Sanepar sofrerá multa diária de R$ 5 mil.
Um outro acordo também foi firmado com a Sanepar, envolvendo a Autarquia do Meio Ambiente (AMA), secretaria de Obras do Município e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Cada órgão irá designar dois técnicos para descobrir focos de poluição do córrego Leme e lago Igapó.
Segundo a promotora, a maioria das edificações com mais de 10 anos, localizadas no centro de Londrina, lançam seus esgotos nas galerias pluviais que vão desaguar no córrego Leme. Os técnicos terão prazo de seis meses para apresentar o resultado do trabalho.

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