A reincidência em despejos de entulhos em fundos de vale e nascentes do Rio das Antas está resultando em notícia-crime apresentada à Promotoria do Meio Ambiente pela Prefeitura de Cascavel, contra três empresas que atuam na área de engenharia, terraplanagem e madeiras. O procurador jurídico do Município, Gilberto Nalom Gonzaga, disse ontem que as empresas transgrediram os códigos Florestal (federal) e de Postura, e a Lei de Zoneamento e Uso do Solo.
A notícia-crime é contra a Grando Engenharia e Terraplanagens, Implanta Construção Civil e Lamirit Indústria Madeireira, cujos caminhões foram flagrados por fiscais da Secretaria de Meio Ambiente despejando entulhos nas nascentes. O Rio das Antas começa a se formar no Cascavel Country Club, numa depressão do terreno que estava sendo aterrado para ampliação do espaço de esportes e lazer para os associados.
Além de restos de material de construção, ferragens, pneus velhos e outros entulhos nas nascentes, são despejados todo tipo de poluentes ao longo do curso d‘água, que atravessa áreas residenciais até alcançar o Rio São Francisco, em Toledo (45 km a noroeste de Cascavel). O médico Augusto Fonseca da Costa, dono de clínica às margens do rio, com 300 pacientes internados, tem sido um dos principais denunciantes dos crimes ambientais.
Além de chamar a imprensa para inspecionar o rio, o médico vinha exigindo publicamente das autoridades ‘‘o cumprimento das leis ambientais’’. Agora, a prefeitura enfrenta na Justiça os poluidores. Segundo o procurador Gilberto Nalom Gonzaga, a notícia-crime levada à Promotoria será desdobrada com a promoção de ação penal. Informado da decisão ontem pela Folha, Augusto Fonseca da Costa disse que a prefeitura ‘‘finalmente tomou conhecimento das denúncias repetitivas’’.
O médico observou que ‘‘lamentavelmente tenha que ser usada a via judicial para punições’’, porque deveria haver ‘‘conscientização das pessoas e empresas sobre a necessidade de preservar o meio em que vivemos’’. As empresas arroladas na notícia-crime podem ser obrigadas a reparar os danos causados. A Lei de Crimes Ambientais (federal), de fevereiro deste ano, prevê até prisão para responsáveis e suspensão de atividades de empresas que cometam os crimes.
A Folha procurou diretores das empresas denunciadas. O único localizado foi Rovani Grando, da Grando Engenharia e terraplanagem. Ele disse que precisaria se inteirar de detalhes sobre a queixa-crime e que sua empresa tem ‘‘autorização do dono do terreno’’ para os despejos. Depois, classificou a queixa como ‘‘uma palhaçada’’, no caso de sua empresa. ‘‘O nosso é o problema menor’’. ‘‘Mais de dez empresas fazem despejos no curso d’água, mas fomos escolhidos para a ação da prefeitura’’, disse.

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