Empresas resistem a uso do gás natural
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sábado, 12 de abril de 1997
Da Redação 
Arquivo FolhaDano ecológicoMaioria das empresas da região metropolitana de Curitiba insiste em utilizar o óleo diesel e poluir o ar A imagem de capital ecológica, conquistada por Curitiba, entrou em descompasso com as indústrias instaladas na região metropolitana. Está havendo má vontade das empresas em trocar o consumo de óleo diesel pelo gás. Não sei se por motivos econômicos ou se por falta de sensibilidade para com o meio ambiente, denuncia Tadeu Lucaski, responsável pelo Departamento de Controle e Educação Ambiental da prefeitura de Araucária.
Tanto o gás natural como o refinado são insumos valorizados em todo o mundo moderno, pois a queima não possui resíduos de enxofre. Ou seja o gás é um combustível limpo, que não polui a atmosfera.
O gás, como combustível industrial, acaba de chegar ao Paraná e está à disposição das fábricas. Uma associação entre a Petrobrás Distribuidora, a Copel e as empresas privadas que formam a Compagás (Companhia Paranaense de Gás) garante às indústrias 120 mil metros cúbicos diários de gás refinado já em 1998, e mais um milhão de metros cúbicos diários de gás natural boliviano, em 1999. Mesmo assim, apenas sete empresas anunciaram intenção de trocar suas matrizes energéticas.
As indústrias da região metropolitana de Curitiba despejam diariamente na atmosfera cerca de 5,39 mil toneladas de ácido sulfúrico. Elas queimam 579 mil metros cúbicos de óleo diesel e 2,16 milhões de metros cúbicos de lenha por dia. O óleo diesel é o principal vilão: em cada tonelada de óleo consumida, o enxofre em combinação com o oxigênio produz 100 quilos de ácido sulfúrico. A destruição causada pela chuva ácida pode ser constatada a olho nu em Araucária, onde as empresas ao longo da rodovia do Xisto estão sempre pintando as partes metálicas de suas instalações, corroídas pelo ácido.
Segundo Tadeu Lucaski, a substituição dos combustíveis em Curitiba é uma boa luta, à qual os ecologistas deveriam aderir. Para o diretor-presidente da Compagás, Luís Roberto Bruel, as indústrias paranaenses deveriam estar fazendo fila para adotar o gás: No final das contas, o gás se torna entra 10% e 20% mais econômico que o óleo diesel porque basta abrir a torneira para obtê-lo, enquanto os demais combustíveis precisam ser manuseados e exigem espaço para armazenagem. Bruel também faz um alerta: Quem usar o gás certamente não terá mais problemas com as entidades de meio ambiente.
A oferta de gás na região metropolitana de Curitiba foi um dos fatores decisivos para que as empresas automobilísticas estrangeiras escolhessem a capital. O uso de combustíveis não poluentes faz parte de compromissos da Agenda 21 e das normas do ISO 14000 (que trata da relação das empresas com o meio ambiente). Quem não estiver dentro dessas normas, a curto prazo, não conseguirá mais exportar para a Europa ou os Estados Unidos.


