Empresas reclamam local para entulho
Silvana Leão
De Londrina
Empresas que trabalham com coleta de entulhos e moradores de Londrina que precisam se desfazer deste tipo de material estão encontrando dificuldades em depositá-lo nos locais determinados pela prefeitura. Segundo os proprietários das empresas, nem todo dia é possível descarregar no terreno que fica junto à Central de Triagem de Coleta Seletiva da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), na zona sul, que deveria ser o principal depósito de entulhos da cidade.
O atendimento é péssimo, diz um gerente de empresa especializada em transporte de entulhos, referindo-se à Central de Triagem. Ele, que prefere não se identificar, diz que é comum os motoristas chegarem ao local com os caminhões carregados e se depararem com os portões fechados ou serem recebidos por funcionários dizendo que o depósito está lotado.
Segundo o gerente, os problemas se intensificaram no município há cerca de um ano. Muitas vezes fazemos a coleta já no final da tarde e até conseguirmos chegar à Central ou à Fazenda Refúgio (no caso de galhos de árvores), na zona sul, encontramos os portões já fechados, reforça, lembrando que quando se trata de outro tipo de lixo a dificuldade com horário é ainda maior, já que o acesso ao aterro sanitário é bloqueado às 16 horas.
Um funcionário de outra empresa confirma as dificuldades, definindo como um descaso com a população, já que, na sua opinião, a prefeitura não pode receber impostos e, de uma hora para outra interromper este tipo de serviço. Ele observa que se a prefeitura não dispuser de locais adequados à destinação dos entulhos, as multas por jogar estes materiais em locais inadequados acabam se inviabilizando perante a Justiça. No que diz respeito ao lixo, está tudo errado em Londrina, afirma o funcionário, que diz ouvir diariamente dos motoristas da empresa reclamações do serviço prestado pela prefeitura.
De acordo com o funcionário, um bom exemplo das dificuldades encontradas por eles ocorreu na semana passada, quando várias caçambas com restos de construção do Shopping Royal Plaza, no centro, ficaram retidas no pátio por não ter para onde encaminhar o material. Ele lembra que, diante das dificuldades, muitos acabam depositando em fundos de vale e outros locais proibidos.
A Folha foi informada que a prefeitura do câmpus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está com um grande volume de entulhos (galhos de árvores) que não consegue depositar nos chamados bota-fora do município. A informação foi fornecida por um funcionário do câmpus.
Ontem pela manhã, a reportagem telefonou à Central de Triagem pedindo informações sobre a destinação de entulho e foi informada que o equipamento estava quebrado e, portanto, não seria possível receber o material ali. O funcionário que atendeu ao telefonema recomendou que fosse feito contato com uma pessoa chamada Marcelo, no escritório da regional sul da AMA, para tentar agendar a entrega na Fazenda Refúgio. O funcionário indicado não se encontrava e o pedido para que a ligação feita pelo jornal fosse retornada não foi atendido.
Humberto Rodrigues de Lima, diretor de manutenção e serviço da Companhia Municipal de Urbanização de Londrina (Comurb), responsável pelo serviço no município, afirmou que a Central de Triagem está recebendo normalmente os entulhos. Em alguns períodos do dia, quando o fluxo é muito grande, pedimos para os motoristas esperarem, mas não interrompemos o atendimento. Ele admitiu que às vezes acontece de a máquina de compactação quebrar, mas disse que mesmo assim continuam recebendo.
Lima disse ainda que a Comurb nunca recebeu reclamações das empresas que transportam entulhos, por isso acha difícil que esteja ocorrendo o problema. As empresas teriam que oficializar as reclamações, para que possamos tomar as medidas necessárias, argumentou.Queixas são contra Central de Triagem da Prefeitura de Londrina, que segundo a Comurb tem prestado atendimento normal
Dorico da SilvaDEPÓSITOS EM BAIRROSEmpresário afirma que por causa das dificuldades para depositar material em locais permitidos, muitas pessoas acabam jogando entulho e lixo em fundos de vale e áreas proibidasDorico da SilvaÁrea não permitida usada por motoristas como depósito de entulho





