Empresas querem produzir na Penitenciária de Cascavel
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de maio de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
Duas empresas estão interessadas em se instalar na Penitenciária Industrial de Cascavel, que deverá ser inaugurada em julho - com um ano de atraso em relação à previsão inicial de entrega da obra. Apesar de estar pronta desde o mês passado, a Penitenciária permanece fechada. A Secretaria de Segurança do Estado espera a definição de qual empresa será responsável pela administração do complexo penal para começar a transferir os detentos.
A preferência era pela escolha de empresas de Cascavel, mas apenas um empresário da cidade cogitou a possibilidade de utilizar a mão-de-obra dos 60 presidiários. É uma fábrica de brindes e o proprietário, Cláudio Kopp, diz que está analisando o aspecto social e também a economia com encargos. A empresa escolhida para administrar o presídio pagará um salário mínimo a cada presidiário e ficará livre do recolhimento de tributos.
Para Kopp, a instalação de indústrias em presídios é importante para dar condições aos detentos de aprenderem uma profissão e terem como trabalhar após o cumprimento da pena. Ele sugere que seja estipulada uma comissão para estimular o trabalho. Se forem bem recompensados, eles irão trabalhar com mais vontade e a produtividade será maior, ressalta.
A outra empresa com interesse em se instalar na Penitenciária Industrial é de São Miguel do Iguaçu (43 Km a nordeste de Foz do Iguaçu) e atua no setor de móveis. O empresário Arnildo Hofle afirma que esteve conhecendo as instalações da Penitenciária de Guarapuava, a primeira industrial do Paraná, e ficou satisfeito com os móveis produzidos pelos detentos.
Hofle acredita que os presidiários não terão dificuldades em manipular os maquinários. Ele diz que pode utilizar o trabalho de cerca de 95 detentos, mas considera os 2 mil metros quadrados existentes na Penitenciária de Cascavel pequenos para todos trabalharem ao mesmo tempo. Os detentos podem fazer vários tipos de móveis em série, mas acho que precisaríamos de dois turnos para colocar todos para trabalhar, explica.
O secretário de Segurança, José Tavares, diz que vai entrar em contato com os dois empresários para tomar conhecimento das intenções deles na administração da Penitenciária de Cascavel. Apesar de não confirmada, existe a possibilidade de as duas empresas serem instaladas juntas, pois a meta do governo do Estado é colocar 190 detentos para trabalhar.
A Penitenciária Industrial custou R$ 5,9 milhões e tem capacidade para 240 presidiários. Pelo contrato de gestão, o governo libera recursos para a manutenção dos detentos. Em Cascavel, serão repassados mensalmente R$ 1,1 mil por preso, o que daria hoje R$ 280 mil reais mensais. No sistema prisional comum, o preso custa R$ 700,00 mensais.
Em contrapartida, a empresa paga um salário mínimo ao preso e trabalha na sua recuperação, sem encargos trabalhistas. O grupo de presos será selecionado por triagem, com preferência para os de bom comportamento. Para cada três dias trabalhados, um é descontado na pena. Do salário mínimo, 25% são destinados ao Fundo Penitenciário do Estado.


