Empresas perdem selo de pureza do café
Guto Rocha
Tem palha no cafezinho que o paranaense está bebendo. Pelo menos é o que indica o acompanhamento periódico realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O Paraná é o Estado com maior número de empresas que perderam o direito de utilizar o selo de pureza da Abic por causa da mistura de outros produtos ao café, afirma o advogado da associação Alexandre Lima.
Segundo Lima, sete empresas paranaenses associadas à Abic não poderão mais ostentar em suas embalagens o selo de pureza da associação por causa de fraude no produto. Quatro empresas perderam o selo no final de 98 e três no mês passado. Exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL), de São Paulo, indicaram que o café da marca Londres, produzido pela Previsafra Indústria de Alimentos Ltda., de Cambé, apresentava em sua composição 15% de centeio.
O produto das marcas Gran-Gala e Campo Largo, da Indústria e Comércio de Café Gran-Gala Ltda., de Campo Largo, tinha uma mistura de 25% de centeio. A Agroindustrial Mercosul Ltda, da marca Supremo, acrescentou ao café 30% de centeio. Mesma quantidade de centeio misturado ao café da marca Dona Olinda, produzido pela Sperafico Alimentos Ltda., de Toledo.
Os cafés Bury e Platinense, produzidos pela Café Platinense Ltda., de Santo Antonio da Platina, apresentou uma mistura de 35% de centeio. O exame revelou ainda um mistura de 4,5% ao café da marca Cabará, produzido pela Vitagrano Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., de Campo Largo. E a empresa A. Valarini & Cia. Ltda., com os café Cianorte e Pingado, apresentou uma mistura de 25% de centeio.
Alexandre Lima diz que a coleta de amostras para análise laboratorial é realizada por auditores independentes, que recolhem o produto nos pontos de venda de forma aleatória. É uma maneira de garantir o processo de avaliação livre de qualquer influência da Abic, afirma. São recolhidas quatro amostras de café de cada marca. Uma fica no local em que foi retirada, para servir de contraprova. Duas ficam com os auditores e a quarta é enviada ao IAL em uma embalagem sem a identificação da marca, apenas um número de controle.
O laudo do exame volta para o auditor, que confronta o número da amostra enviada ao laboratório com a amostra retida, que permite identificar a empresa. Caso a amostra apresente alguma irregularidade e o produto for de um associado da Abic, são aplicadas cinco penalidades.
A primeira é uma carta alertando para o problema, depois a empresa recebe uma advertência. A terceira medida é a obrigatoriedade de a empresa participar de cursos sobre qualidade e degustação de café. Depois o selo de pureza é suspenso e, por último, cancelado. A empresa, então, é excluída da Abic. Mas antes de ter o selo cancelado, a empresa tem o direito de se defender, esclarece Lima.
O advogado da Abic informa à Folha que as empresas do Paraná que tiveram o selo cancelado já estão com o processo na Justiça, como liminar concedida à Abic para o cancelamento. As empresas que continuarem a utilizar o selo terão de pagar uma multa diária de R$ 1 mil.
Segundo Alexandre Lima, a avaliação é feita também nos cafés produzidos por empresas que não fazem parte da entidade. No Paraná, a última coleta apontou fraude em seis torrefadoras não associadas que também misturavam centeio ao produto. Mas, nesse caso, como não temos poder de polícia, a única coisa que podemos fazer é denunciá-los a todos os órgãos de defesa do consumidor em todo o País.Análises da Abic mostram que Paraná é o Estado com maior número de empresas acusadas de fraudar produto com misturas
Mário CesarGosto ruimNa maioria das marcas analisadas a Abic constatou a existência de cevada misturada ao café torrado e moídoDorico da SilvaGarantia de qualidadeConsumidor deve ficar atento para o selo de pureza impresso na embalagem do produto que for comprar





