No trabalho junto às empresas, a coordenadora do Programa de Apoio à Inclusão do Deficiente no Mercado de Trabalho, Martinha Clarete Dutra dos Santos detectou que o não cumprimento da lei federal 8.213/91 está associado a diversos fatores.
As empresas reclamam da falta de deficientes qualificados para contratação, o que Martinha dos Santos diz ser um problema real. Mas detectou-se também ser comum as empresas destinarem vagas ‘‘impreenchíveis’’, com exigências impossíveis de serem cumpridas por Pessoas Portadoras de Deficiências (PPDs). ‘‘As vagas têm que ser compatíveis com as condições dos deficientes’’, explica.
Outro impedimento diz respeito ao processo de seleção. Normalmente nestes processos concorrem juntos PPDs e pessoas comuns, o que é desigual, segundo Martinha dos Santos. A orientação é para que as empresas criem processos de seleção específicos para os PPDs.
A coordenadora do programa alerta ainda para o fato de que a lei não pode ser cumprida temporariamente. ‘‘Os postos de trabalho dos PPDs têm que ser mantidos. Se um deficiente deixa o trabalho por algum motivo, a empresa tem que contratar outro deficiente para ocupar a vaga’’.
A acessibilidade aos locais de trabalho é outro problema grave, que dificulta a contratação de deficientes. Martinha dos Santos afirma porém que a política adotada pelo programa tem sido de encaminhar o deficiente para o trabalho de acordo com as condições das empresas. Ou seja, o deficiente físico é encaminhado para uma empresa que não tenha barreiras arquitetônicas, por exemplo.
Martinha dos Santos explica que não dá para exigir tudo de uma vez. Que sejam preenchidas todas as vagas destinadas para os deficientes e que as empresas façam reformas nos prédios. ‘‘Isto provoca um choque’’, afirma. As exigências estão sendo feitas gradativamente e de forma a conscientizar o empresário de que as reformas serão benéficas para atender não só o empregado, mas os clientes com deficiência física.
Em Londrina, segundo a coordenadora do Programa, apenas prédios novos ou reformados possuem adaptações arquitetônicas – como banheiros com portas grandes, espaço para manobrar a cadeira de rodas e vaso santiário mais alto e com corrimão; rampas, elevador com portas amplas e parte digital mais baixa, para dar acesso àqueles que estão em cadeira de rodas.
Martinha dos Santos afirma que com a implantação do Conselho Municipal da Pessoa com deficiência em junho próximo será possível um trabalho mais contundente, inclusive com a criação de lei que regulamente a questão das barreiras arquitetônicas em Londrina.

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