Empresas investem em tratamento e prevenção para reduzir perdas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 1999
Daniela Neves 
Especial para Folha
Parar em um bar depois do expediente e beber cerveja, todos os dias. A rotina que parecia normal para um funcionário do setor de montagem de uma indústria automobilística da região de Curitiba,
assustou os colegas e a assistência social da empresa. O rendimento dele no trabalho diminuiu, mas no lugar de demití-lo, a montadora resolveu arcar com os custos para livrar o funcionário do alcoolismo.
Atitudes como esta têm sido cada vez mais frequentes entre as empresas. A média de dependentes químicos no corpo funcional de uma indústria chega a 10% do total de trabalhadores. Para tentar diminuir as estatísticas, empresas como a Copel, Sanepar, Itaipu, Petrobrás (Refinaria de Araucária) e Volvo, no Paraná, estão criando grupos de prevenção ao alcoolismo e drogas e arcando com os custos do tratamento dos dependentes.
Segundo o médico Dagoberto Requião, especialista na recuperação de alcoolistas, em cada dólar investido no tratamento de um funcionário a empresa recupera cinco. O trabalhador que possui esta doença e não é tratado, acaba gerando problemas na produção e envolvendo-se em acidentes de trabalho.
Na Itaipu Binacional, o programa de prevenção recuperou 80% dos casos e depois do tratamento 50% continuaram abstêmios. O que pode ser considerado um índice alto, já que nos hospitais a recuperação varia de 25% a 30%, esclarece a assistente social Denise Zugman, coordenadora da Clínica Quinta do Sol, em Curitiba, especializada na recuperação de dependentes químicos.
A metade dos pacientes da clínica é encaminhada por empresas. O funcionário da montadora e seu filho de 14 anos, estão juntos na clínica. Esta é a terceira internação do menor, que é dependente de cocaína. O tratamento dos dois está sendo paga pela empresa e parece estar dando bons resultados.Pela primeira vez estamos conversando de verdade, dormimos juntos, damos força um para o outro. Antes nem conversávamos, pois eu não tinha moral para pedir para ele parar de consumir droga. Agora os abraços e sorrisos são mais frequentes, conta o pai.
Segundo Denise, os pacientes encaminhados por empresas acabam se recuperando mais rápido.O dependente enfrenta briga em casa, a sua vida se desestrutura, mas o medo de perder o emprego lhe devolve a razão, diz.
Os programas preventivos são compostos por palestras, cursos e treinamentos com o objetivo de formar funcionários para diagnosticar os dependentes, que são encaminhados para tratamento. Exames laboratoriais, observação de faltas, atrasos e consulta a médicos constantes, também são outros referênciais que ajudam as empresas a detectar os dependentes.


