Curitiba - Se a única desculpa para não fazer um trabalho voluntário é a falta de tempo, algumas iniciativas derrubam por terra o argumento. Uma tendência é que empresas incentivem seus funcionários a se dedicarem a uma causa. Assim, um período ou dia de serviço é transformado em atividade beneficente. Outra opção é encontrar um trabalho que possa ser feito nas horas vagas sem nem sair de casa.
Exemplo para o mundo é o programa de voluntariado da Kraft Foods Brasil. Todos os anos, as filiais daqui dedicavam um dia para levar recreação e brinquedos a escolas carentes ou compartilhar um tempo com idosos em asilos. Entre os cerca de 4,3 mil funcionários das unidades paranaenses, um grupo ''vestiu a camisa'' e formou uma comissão permanente que elabora atividades periódicas e recebe apoio material e incentivo da empresa.
Segundo o diretor de assuntos corporativos no Brasil, Fabio Acerbe, a empresa entende que, desde que haja o envolvimento do funcionário, é vantajoso colaborar. ''Às vezes a pessoa quer ajudar, mas não pode arcar. Então a empresa fornece materiais, transporte e até segurança. Mas não basta só pegar os produtos para doar. Assim, sentimos que o funcionário fica mais motivado'', diz. O plano de voluntariado brasileiro da empresa, que tinha o dia dedicado a atividade, foi copiado neste ano por outros 30 países onde a empresa atua.
A ''oferta'' atraiu o funcionário Felipe Andrade Bosa. Na empresa há quatro anos, ele nunca tinha pensado dedicar seu tempo para ajudar outras pessoas. Ficou animado com a oficina de artes e ensinou crianças de uma escola carente a confeccionar pipas. ''A gente sente as crianças eufóricas. É uma boa forma de conhecer esse lado e criar a vontade de continuar por conta própria. Vou procurar algo para fazer agora'', disse.
Dia diferente
Fazer uma atividade voluntária que envolva crianças significa perceber na hora se o gesto é bem recebido. Os sorrisos e as demostrações de carinho podem até ser tímidos, mas as marcas daquela felicidade, ainda que momentânea, ficam na lembrança por muito tempo. Segundo a diretora do Centro de Atendimento Adriano Robine, para alunos de 1 a 4 série, Sibele Bosa, quem já vivenciou a festa, oferecida pelos voluntários, conta os dias para sentir aquela alegria de novo.
''São crianças que costumam assistir às festas de aniversário do lado de fora. Toda essa alegria, atenção, carinho é fora da realidade deles. Todo ano chega a vir ex-alunos querendo participar da festa. E alguns pais querem matricular os filhos aqui por saber que eles têm esse dia tão diferente'', conta.
Aluna da 4 série, Thayná Liliane de Alexandre, 11 anos, já avisa que vai voltar no ano que vem. Ela conta que não tem nada parecido com aquela diversão no dia-a-dia, quando divide a casa com os pais e seus 26 irmãos. E os olhos brilhando durante as brincadeiras não são o único retorno observado pela diretora. Segundo Sibele, os alunos voltam à sala de aula com mais empenho, associando aqueles momentos felizes com uma gratificação pelo bom trabalho.

mockup