Após muitas pressões e reuniões realizadas durante todo o dia, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Metropolitano de Londrina (Metrolon), apresentou ontem, no começo da noite, uma nova proposta aos motoristas e cobradores para tentar evitar que seja deflagrada a greve da categoria a partir da zero hora de segunda-feira, o que deixaria sem transporte mais de 150 mil usuários.
A proposta, segundo o advogado do Metrolon, Carlos Roberto Ribas Santiago, traz ''grandes avanços'' em relação à anterior, que previa o reajuste de 9% em forma de abono, pago em duas parcelas (julho e outubro), além do fim do anuênio e sua não-incorporação aos salários. ''As empresas chegaram ao limite das suas possibilidades para evitar que aconteça a greve. Esta proposta foi uma das melhores do País em termos de reajuste anual. Só para se ter uma comparação, o sindicato de Curitiba aceitou um reajuste de 8% para as perdas acumuladas pela categoria nos últimos 15 meses, e aqui estamos oferecendo mais'', disse Santiago.
A nova proposta prevê o reajuste imediato de 9% nos salários (e não pagos em forma de abono). Outra mudança é a atualização dos anuênios (que estão congelados desde 2003) e a sua incorporação ao salário com base em todo o tempo trabalhado pelos empregados. ''E estamos garantindo que os reajustes que a categoria venha a ter no futuro incidirão também sobre este valor que será incorporado'', acrescentou o advogado. Porém, o sindicato patronal se mantém irredutível em eliminar a cláusula de atualização dos anuênios a partir da negociação deste ano.
O Sindicato dos Trabalhadores no Transporte de Londrina e Região (Sinttrol) recebeu a proposta à noite e o presidente João Batista da Silva disse que não queria comentá-la porque precisa primeiro apresentá-la aos trabalhadores. Ele informou que percorrerá as garagens da TCGL e da Francovig hoje a partir das 4h30, quando os funcionários chegam para o serviço, para convocá-los para uma nova assembléia na sede do sindicato (na Rua Acre, área central), a partir das 9 horas, para que a proposta seja apreciada.
''Será uma assembléia consultiva e não deliberativa, porque ainda prevalece a decisão tomada pela categoria na votação de quarta-feira, quando a maioria votou pela greve. Preciso explicar para o pessoal de forma didática cada ponto dessa proposta, porque na verdade, no ponto central eles não mexeram. Continuam querendo acabar com o anuênio'', rebateu o sindicalista.
Segundo João Batista da Silva, a proposta entregue à noite já vinha sendo sendo feita informalmente pelo Metrolon, mas como as negociações anteriores não resultaram em acordo, o sindicato patronal decidiu colocá-la no papel para que a categoria desista da paralisação. Caso os motoristas e cobradores não aceitem, a população já sentirá os efeitos na segunda-feira, com a greve. A CMTU (empresa que gerencia o transporte coletivo na cidade), alertou que se houver mesmo a greve o sindicato da categoria terá que garantir um mínimo de 25% da frota nas ruas, conforme prevê a lei.

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