Empresas empregam ex-detentos
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quarta-feira, 04 de abril de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
Vinte e um egressos do sistema penitenciário do Estado já foram integrados no mercado de trabalho, por meio do Programa Pró-Egresso. São ex-detentos que já cumpriram 60% da pena e, agora, cumprem o restante em regime aberto. O programa vem sendo desenvolvido desde novembro do ano passado, numa parceria entre a Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho e a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania. Em Curitiba e Região Metropolitana são 504 presos, que cumprem pena em regime aberto. Em todo o Paraná, são aproximadamente 2.900. A experiência de empresários que contrataram egressos foi apresentada em reunião promovida, ontem, pelo Patronato Penitenciário.
O Patronato é uma unidade de regime aberto do sistema penitenciário, que atende e presta apoio ao ex-detento. Outras 18 cidades do interior do Estado têm uma extensão do Patronato (unidades Pró-egresso). O programa faz um levantamento do perfil profissional e psicológico dos presos e procura captar vagas no mercado de trabalho.
Nós precisamos assegurar a reintegração do egresso à sociedade. Do contrário, corremos o risco de ter níveis de reincidência cada vez maiores, destacou a diretora do Patronato Penitenciário, Vera Lúcia Silano Domingos de Souza. Segundo ela, estatísticas recentes apontam que, no Brasil, 60% de ex-presidiários voltam a cometer delitos. Vera Lúcia disse que está nos planos do Patronato estabelecer parceria com o Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT).
Roberto Tomiyoshi, diretor técnico da Bematech (uma das empresas que emprega uma ex-detenta), avalia a experiência como bastante produtiva. A empresa foi pioneira na instalação de um canteiro dentro da Penitenciária Feminina do Estado, há três anos. Vinte e duas detentas trabalham na montagem de placas eletrônicas para equipamentos de automação bancária e comercial.
Neuza Alves Pereira foi contratada pela Bematech logo que saiu da prisão. Foi fundamental para o recomeço da minha vida estar bem empregada e com meus filhos. As outras empresas que contrataram ex-detentos são a Sanepar (11), a Casa das Capotas (6) e a Ervas Curam (3).


